Este Blog foi criado como portfólio virtual onde apresento meus projetos, pensamentos acerca da arte, arquitetura, cidade e ser humano e minhas pinturas. A trajetória do saber como expressão e formação do artista e do arquiteto
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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Até que a arte nos salve!


Violação (óleo sobre tela 80x120cm) – 2015

América do Sul, Brasil, 2015.
No ano passado, mais de 50.000 mulheres sofreram algum tipo de violação, seja por violência física, psicológica, moral e/ou sexual, além do cárcere privado. Como se não fosse deprimente o bastante, soma-se a isto, a prática de estupro coletivo.
Engolindo o choro, milhares de meninas e mulheres amputam lascas de suas vidas em longínquos, por vezes, intangíveis pedaços de suas melhores partes.
Não pode ser impossível não distinguir o canto de angústia.
Neste mesmo país, sucessivos governos violam seu povo que se ilude em escolhas partidárias; inflamados e cegos porta-estandartes. Não é mais um simples desrespeito, é uma comédia sádica de um povo que se vinga em si próprio, se autoviolando. Estamos nos devorando com os dedos em riste de quem se autocondecora o dono da verdade.

Não pode ser verdade que não se distingui o canto de angústia do nosso próprio fim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!

Coexistência – 2015
(óleo sobre tela (80x100cm) presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe" ) 

Trazemos conosco a ingênua certeza de que nosso caminho é individual e que nosso Estado nos serve e orienta. Ao contrário, nos deram um caminho cego, oposto e agressivo que nos dá as costas e que nos sufoca, estrangula. Somos nutridos com o que há de pior entre a razão e a crença. Criamos dentro de nós os guetos de raiva. O que te assusta é ter sempre um pouco de outro em você. Se você existe, eu existo também. Se te sufoca, me sufoca também. Toda e qualquer ação individual sempre nos afetará.


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ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE !

Livre Arbítrio (óleo sobre tela 80x120cm) – 2015

Ainda te peço perdão. Talvez agora, talvez amanhã, talvez quando silenciar a mente. Um dia o farei.
Me admiro pensar que, naquele momento em que andavas, alimentando a natureza sádica dos homens num filme em câmera lenta de desumanidade, ninguém ergueu a mão em luta. Justificava-se e, ainda o fazemos, que era tudo por nós e que aquilo era o símbolo da nossa salvação. Ninguém se emputeceu, ninguém preparou um motim; e se hoje alguns o fazem, ainda acreditam que é por nós.
Talvez ali, naquele momento, o que estava sendo posto a prova era nossa humanidade; mas falhamos, falhamos feio. Somos e fomos tão desumano ao ponto de achar que era tudo por nós.
O que mais em seu nome?
Até quando assinaremos nossas atitudes com o seu nome?
Até quando limparemos nossa hipocrisia com a sua fala?
O que mais em seu nome?

Subverta a culpa e a submissão e encare que a nossa existência é acomodada e o arbítrio egocêntrico.

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sábado, 24 de maio de 2014

Até que a arte nos salve!



Paixão Nacional - 2014
óleo e giz sobre tela - 80x110cm

Hoje vi um corpo atrapalhando a vida. Na verdade acho que ninguém reparou nele; não teve um arbitro apitando a penalidade máxima ou a falta, a vida seguiu; a vida sempre segue. País da alegria carnavalesca e de torcidas de sangue quente. Ontem, o estádio estava lotado, parece diversão, mas, olhando mais de perto ou de dentro para fora, reparo a transferência da impotência ou fracasso de cada um daqueles torcedores para seus times. Este time deve honrar esta transferência com a vitória, nada mais que a vitória já que eu, frustrado com a minha nula participação na melhora da minha própria vida, não consigo fazê-lo. Berro, grito indignado e concentro tudo que em mim está entalado num jorro de saliva, como se, hipocritamente, solucionasse a minha omissão.
Passamos por cima de tudo que é relevante em nome de um país de festa, de gente boa.
Passamos por cima dos assassinatos, dos estupros, das violações de direito, da fé do outro, do racismo, da pobreza mas nunca das inúmeras diferenças que temos. Terceirizamos ideologias e acatamos as ordens de quem nem sabemos bem ao certo quem são.
Balanço a bandeira do meu time ou da nação como quem tenta varrer e dissipar no ar os problemas, mais uma vez, que todos nós criamos.

Hoje, eu vi um corpo atrapalhando a vida, mas tudo bem, ele não era do meu time.

sexta-feira, 29 de março de 2013

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!


Justiça Social (óleo sobre tela 90x120cm) – 2013



Preparo-me para dormir, é tarde, passa das 00:00hs. Estico-me no chão ainda um pouco úmido pela garoa que há pouco caía. Fecho os olhos e cubro-me com um cobertor que me foi dado. Sinto que começo a flutuar ao meio de poucos motores que passam ao meu lado. Flutuo sim, sinto minhas pernas leves e molhadas; sensação estranha, pois o chão não estava tão molhado assim para encharca-las. Tudo bem, deve ser o efeito do sono - penso. A sensação de molhado vem subindo até chegar ao p...eito. De repente, sinto, em fração de segundos, dos pés a cabeça um frio mesclado com um ardor que penetra a pele e frita a carne. Abro os olhos e vejo meu corpo coberto pelas chamas e pessoas correndo enquanto riem. Não demora nada para meus olhos serem cegados pelo fogo e a asfixia me levar.
(possível relato de um ser humano ao ser queimado enquanto dormia nas ruas da tua cidade.)
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ARTE SACRA

Óleo sobre tela 15x25cm
autoria Adriano Carnevale Domingues

Nossa Senhora de Fátima - Benção (2012)


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Óleo sobre tela 15x25cm
autoria Adriano Carnevale Domingues

Nossa Senhora de Fátima com Terço (2012)

domingo, 4 de dezembro de 2011

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!

Obra de Adriano Carnevale Domingues
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Extrema Unção (óleo sobre tela 100x140cm) - 2011

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo...
... continuem suas vidas.




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domingo, 17 de abril de 2011

" ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
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Vazio (óleo sobre tela 70x90cm) - 2009

Dentre os animais, o homem talvez seja o único a sentir o "vazio", a profunda desconexão da vontade; animal contraditório que se sente frágil e exposto quando nu, buscando o inexistente, o ideal, a lembrança, as saudades; marca da luta do desejo. Por ser condição do individuo, a solidão não é o grande mal da humanidade, mas sim o vazio
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