Este Blog foi criado como portfólio virtual onde apresento meus projetos, pensamentos acerca da arte, arquitetura, cidade e ser humano e minhas pinturas. A trajetória do saber como expressão e formação do artista e do arquiteto
Contato / Compra de obra de Arte

Contact / Purchase an Art





email: adrdomingues@uol.com.br

skype: adr . urb







terça-feira, 9 de novembro de 2010

UNTIL ART SAVES US!


AN A(R)TIVISM NEW YORK TRIP BROCHURE
by Adriano Carnevale Domingues


This brochure was scattered in some places in New York city
as an individual act.

This action was the continuation of the same action done in Brazil named “Até que a arte nos salve!”
Due to local laws, it would be hard to spread the printed panels, as was done in São Paulo. Thus, I decided to spread those brochures, hoping that someday, with local help, can make the urban action in its entirety.
-
PS:
Thanks to Carolina Young - translation help.
Obrigado a Állisson Opitz por me acompanhar, debaixo de chuva, enquanto entregava os livretos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PUBLICAÇÃO - ARQUITETURA CONTEMPORANÊA


Tempos atrás o editor de uma revista virtual de arquitetura contemporanea me convidou para publicar um projeto, pois havia entrado em meu blog e gostou do que viu, sugerindo dois trabalhos. Pois bem, o primeiro deles acabou de sair.
Acessem a revista Contemporaneu.

Entre no site http://www.contemporaneu.com/ e clique na revista #4, está na pagina 160 em diante, ou na pagina dois (mapa mundi) clique no ponto amarelo que esta no centro do Brasil que irá direto para o projeto (seção Projeto de Concurso) Projeto para Sede do IPHAN - Brasilia

terça-feira, 28 de setembro de 2010

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
 de Adriano Carnevale Domingues
(Clique na imagem para ampliá-la)



Natal (óleo sobre tela 100x140cm) – 2010

Mamãe, mamãe... olha só o que eu achei na rua.

domingo, 11 de julho de 2010

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
 de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la


Evolução (óleo sobre tela 80x120cm) – 2010

O teu dinheiro delimita o território, a porção de agressividade que tenho, eu extravaso em você e te excluo do bando. Não caço, minha caça já está morta e minhas presas atrofiadas. Vivemos em bandos, eretos, lutando por espaço em uma selva artificial. Excluímos, segregamos, reproduzimos, abortamos.... Temos líderes, maldade, bondade e submissão. Temos vergonha da pele. Não sei se somos primitivos ou humanos demais, mas tenho certeza que talvez a única diferença é que nasceu em nós a ilusão.
Apartheid, Catequização, Chacina, Ditadura, Sem teto, Inquisição, Pobreza, Extinção, Refugiados, . . .


"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la

Qualidade de vida (óleo sobre tela 80x120cm) – 2010

Deposite, pois esta faltando...
Compre, pois disseram que é necessário...
Troque, não importa a idade...
Rejeite, ao teu bel prazer...
Sufoque, Destrua, Arranque, Cimente,...
... ciente.

terça-feira, 13 de abril de 2010

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!
Ação / Exposição urbana de Adriano Carnevale Domingues




até que a arte nos salve.

É uma série, uma ação/exposição urbana individual onde painéis são espalhados pela cidade. Estes painéis são impressões sobre lona de fotos ampliadas de quadros que pinto. As obras não tem uma união pictórica mas um eixo de reflexão fragmentada que não será compreendida apenas com o olhar. A reflexão dos símbolos de uma sociedade sendo questionada ou afirmada pela alteração de sua legenda. Sem fundo, sem locação retratada, sem desvio ; a arte nunca deve acabar por ser entendida com os olhos e nem a legenda ser obvia a figura. O título impresso na obra, como pintura, como localização ou paisagem, sem hierarquias. Um prefácio para um ensaio literário.

até que a arte nos salve!

Uma revisão humana, uma análise da estruturação dos símbolos do indivíduo ou social. Limites criados ou impostos. Ligação entre as criações que tem como objetivo revolucionar a aceitação. Que todas as artes que permeiam a lucidez e a loucura nos salvem talvez, de nós mesmos.

até que a arte nos salve!!
A arte, não mais como entretenimento, interação física, espacial e invisivelmente decorativa. A arte como ligação de todas as artes, como reflexo real daquilo que evitamos.
A arte como parte dependente de múltiplas ações e colisões. Quando simbolizamos algo, mascaramos a realidade, amputamos as possibilidades e fincamos uma traiçoeira verdade em nós.

até que a arte nos salve!!!
-

  • Parque/Praça Buenos Aires (Higienópolis) - de 13/04 até 18/05/2010
    (RETIRADOS)
    Clique nas imagens para ampliá-las

-

  • Parque do Ibirapuera - de 12/04 até 17/05/2010(RETIRADOS)

locais:

Praça da Paz (portão 08)


e


marquise Auditório / Oca (portão 01/02)
Clique nas imagens para ampliá-las



-

sexta-feira, 5 de março de 2010

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!
ação de Adriano Carnevale Domingues
-
Avenida Paulista - Parque do Trianon (retirado)

Avenida Santo Amaro (retirado)


Parque da Luz (retirado)


Parque da Luz (retirado)
Av. Juscelino Kubitschek - entrada do túnel sentido Ibirapuera próximo a Rua Bandeira Paulista. (retirado)



Av. Juscelino Kubitschek - entrada do túnel sentido Itaim-Bibi próximo a Av. Santo Amaro. (retirado)

-


São Paulo (25 de março / 11 de abril).



Esta ação consiste na exposição de 10(dez) painéis (2.50x3.00metros) colocados nos seguintes pontos da cidade de São Paulo:


Av. Juscelino Kubitschek - entrada do túnel sentido Ibirapuera próximo a Rua Bandeira Paulista.(retirado)Av. Juscelino Kubitschek - entrada do túnel sentido Itaim-Bibi próximo a Rua Bento de Andrade. (retirado)Av. Santo Amaro - entrada do túnel de ligação com Av. São Gabriel. (retirado)Av. São Gabriel - entrada do túnel de ligação com Av. Santo Amaro. (retirado)Parque da Luz – dentro do parque próximo a Pinacoteca. (retirado)Parque do Trianon – na entrada do parque pela av. Paulista. (retirado)

A arte como ensaio literário e nunca apenas uma imagem.
-
Link :
-

domingo, 24 de janeiro de 2010

ABRIGO/MANIFESTO em PORTUGAL
Clique na imagem para ampliá-la
-
O premiado Abrigo/Manifesto de minha autoria, após ser exposto em Berlim na exposição de arte "Die Tropen", está na edição 77 de Janeiro/Fevereiro-2010 da revista portuguesa ARQ./A - revista de arquitectura e arte.
Nesta edição, a revista aborda o tema arquitetura efêmera, que além do meu trabalho, mostra projetos dos ecritórios OMA, SANAA, Lot-EK, REX BAIXA ATELIER, WUDA, DAAS, RAUMLABORBERLIN, RECETAS URBANAS e ARNE QUINZE.
Para maiores informações acesse o site: http://www.revarqa.com/.
Agradeço ao arq. Carlos Pedro Sant'Ana pela matéria.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

 óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
 de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la



D'(EU)S
Definição:
A Luba (RDC): República Democrática do Congo - Africa

A Luba Africano como a maioria das pessoas acredita em um Deus que dá aos homens a forma de várias mentes. Esta divindade é expressa por 3 espíritos primário (a palavra, gesto e respiração). Suas esculturas descrevem como um livro, e em segredo, os mitos de origem e história das dinastias royales. Por isso que eles usam símbolos diferentes:
O ponto rodeado por 2 círculos é o símbolo divino.
O cone, espirais caracóis evocar o cabo trançado. Eles simbolizam vida, nascimento, fertilidade.
O ponto e os dois círculos, a torção espiral e expressar o mundo original, a criação do mundo.
A árvore de Ficus é sagrada desde o Antigo Egipto ea Mesopotâmia. Ela está ligada ao sangue menstrual e adivinhação. Ele é usado para esculpir objetos sagrados.
Kaolin simboliza os espíritos dos mortos.
Os triângulos referem-se a complementaridade entre homens e mulheres, o penteado cruciforme representa os 4 pontos cardeais.
O sol é o lado de Deus, de dia positivo.
A lua tem o seu lado negro, os maus espíritos.
As noites de lua cheia de motivos para sacrifício porque o poder dos maus espíritos é maior. O mundo dos mortos está localizado na Via Láctea.
Estas máscaras redondas são exclusivamente atribuídos a Luba. As linhas brancas está associada a características positivas (grau de pureza, bondade, luz, leite ...). A função destas máscaras Luba é benéfica; sua dança deve animar espíritos guardiões. As cores são simbólicos, tais como formulários, eles indicam "sexo" da máscara, mas também a sua magia em potencial.

-

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"


óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la


Abandono (óleo sobre tela 80X50cm)

Quão abandonados não se sentiriam nossos mártires hoje em dia? Como a sociedade encara a fé e a crença? Falando mais do que fazendo? Excluindo o diferente? Não seriamos todos Sua imagem e semelhança?
Consumimos nossos mártires não importando o discurso.
Discursamos em seus nomes no vazio da nossa ignorância.
Humanidade fútil sem raiz, na crença da propaganda e apoiada na bandeira de uma religiosidade hipócrita.

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

 óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
 de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la


Natureza morta (óleo/acrílica sobre tela 50x80cm) - 2009

Segundo os dicionários, "Natureza-morta" é um gênero de pintura em que se representa seres inanimados, como frutas, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras de metal, porcelanas, dentre outros objetos.
Nesta tela o título é natureza morta pois para mim quando os seres humanos são privados da liberdade, seja como castigo ou normas e leis; quando uma sociedade aprisiona os vivos (animais ou homens) é que a natureza morreu, foi assassinada. Humanidade que se priva da liberdade, dos atos espontâneos, e que reprime sua natureza; esta morta!

Humanidade que ensina a matar para depois punir; esta morta!
-

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

(Detalhe)- óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la


Condicional (óleo sobre tela 80x100cm)

Acepções

■ adjetivo de dois gêneros
1 que contém, implica, é sujeito a ou dependente de uma condição; incerto, condicionado
2 Rubrica: gramática, lingüística. que expressa condição ou suposição; que introduz, contém ou implica uma suposição ou hipótese
3 m.q. condição ('obrigação, encargo' e 'situação')


"Sinto por vezes minhas pernas fracas, penso no cúmulo de mendigar ajuda, mas para quem ? É certo, na minha idade, ter que pedir?
Me lembro quando jovem da minha indignação em dividir meu espaço com mendigos nas ruas; _que pessoas folgadas, vagabundos, dizia eu. _É mais fácil pedir que trabalhar, justificava-me.
Agora, sinto que generalizei demais e sem saber, ensinava aqueles que hoje nem me ajudam ou sequer me vêem."

-

terça-feira, 3 de novembro de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

 óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la


Liberdade de expressão (óleo sobre tela 90X70cm)

Será que a censura continua, ou foi plantada a seu tempo em nós? Seria a superficialidade da imagem sem conteúdo a marca da futilidade mental semeada com a censura?
Às vezes sinto que falo para ninguém e a espontaneidade da expressão é barrada no limite da aceitação comum, nivelada pelo valor do consumo.
Agora vejo que a liberdade é amarrada e abafada pelo véu da hipocrisia.
Nasceu em nós a pior das censuras, enfim.

-

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

 óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
 de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la


Fraternidade (oleo/acrilico/carvão sobre tela 90x70cm)


"Não dê apenas esmolas; Dê futuro."


-

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

 óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la



Suspiro (óleo sobre tela 90X70cm)


Há tempos, uma lembrança do tempo de criança me visita , me acorda.
... assopre esta planta que ela voará! - sussurra meu pensamento.
-Qual ? - respondo com um movimento de sobrancelhas.
-Esta, que parece uma peruca branca -afirma meus olhos.
... e não é que com um atropelar da respiração vejo seus pequenos cabelos brancos voarem e sustentados pelo vento se despendem de mim...
Hoje, a buzina me desperta, a pedra é planta nos solos e aos poucos percebo a minha volta, a falta de suspiros das recordações que valham.
...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

 óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la



Bala perdida (óleo sobre tela 90X70cm)


Carlos Henrique, 15 anos, estava em um ônibus para passar o final de semana com seu avô viuvo , quando foi atingido...
Clarice, 33 anos, esperava seu primeiro filho após anos de trabalho e planejamento, quando foi atingida a caminho do trabalho...
Eduardo, 52 anos, foi atingido em seu carro devido a proximidade de um assalto no trânsito...
Janaína, 63 anos, foi atingida enquanto dormia em seu apartamento milionário.
Tatiana, 19 anos, acaba de conseguir uma vaga na companhia de ballet do Teatro Municipal, mas...

"Somos todos Sua imagem e semelhança"... e não números de uma estatística.


-

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la


Fome (óleo sobre tela - 90x70cm)

Perco a boca diante da fome. Pedir, mendigar, vasculhar o resto em sacos lotados de pouca dignidade. O que é mais inconcebível? A ausência da boca em uma pintura ou a privação do alimento em campo fértil?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

IIº Salão de Inverno de Arte

Medalha de Ouro


óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la
Herança (óleo/acrílica sobre tela 50x80cm) – 2009

Que tipo de organização social criamos, ou pior, que tipo de construção social insistimos em desenvolver onde o sofrimento alheio não seja visto como um sinal de alerta.
Todos os laços possuem em si uma imperceptível perpetuação de vícios e toda formação coletiva inibi a percepção individual e dela nasce um escudo com o poder das atrocidades e julgamentos.

A cegueira e os vícios vindos da herança carregam consigo o perigoso signo da verdade.



-
(Detalhe)- óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la



Comunhão (óleo sobre tela 30x100cm)  - 2009


A submissão pela exclusão curva silenciosamente agressiva aos teus pés. Por sobrevivência, apresenta-te um prato em que comungas a indiferença e a permissividade social




Os quadros "Herança" e "Comunhão" receberam medalha de ouro no IIº Salão de Inverno da Galeria Mali Villas-Bôas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

 óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la



Vênus/Afrodite (óleo sobre tela 90x70cm)
Vênus, Deusa da Natureza, Grande Mãe , mito da beleza e do amor, nasce em uma concha de madrepérola gerada pelas espumas. Era considerada a mãe do povo romano...Equivalente a Afrodite grega.
Os relatos impressos da humanidade muitas vezes alteraram mitos ou personificaram deuses às suas imagens, mas se a África é o "berço da humanidade", a representação mais honesta da Grande Mãe, deusa da natureza Vênus/Afrodite, mantendo esta denominação, seria de uma africana, negra, sem a tradução despigmentada greco-romana. A imagem mítica de acordo com a origem humana, primitiva e não de acordo com a força de um império.
"os mitos possuíam uma função extremamente importante nas sociedades primitivas, pois explicavam os aspectos essenciais da realidade, tais como a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais, assim como os processos interiores do próprio homem, juntamente com seus valores básicos. Eram responsáveis não só pela educação e conduta desses povos, servindo como guias para uma vida segura, afastando quaisquer sentimentos de negação da existência, provenientes de uma real impotência em relação à supremacia das intempéries, doenças e mortes." (MONIZ, Luiz Claudio. Mito e música em Wagner e Nietzsche. Rio de Janeiro: Madras, 2007, p. 33).



Talvez, se não transformássemos tanto as imagens para que sejam semelhantes a nós, respeitaríamos melhor as diferenças humanas .
-


domingo, 26 de julho de 2009

"ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!"

óleo sobre tela presa parcialmente em painel de madeira com texto impresso e colado tipo "lambe-lambe"
 de Adriano Carnevale Domingues
Clique na imagem para ampliá-la


Hierarquia (óleo sobre tela – 50x80cm) - 2009

Para que hierarquia? Qual é a hierarquia? : nós que escolhemos quem nos governa em uma democracia ventríloquo ou quem nos governa, nos manipula com seus títulos e patentes?
Que nação permanece integra num regime hierárquico onde a relação mutua atinge o ponto de superioridade de classes, regionalismo, financeira, cultural? Que nação permanece integra com os mandos e desmandos de uma hipocrisia viral?
Até quando vamos delegar o que é de nossa responsabilidade?
A hierarquia é o peso da prepotência humana.
No abuso hierárquico o primeiro a cair é o progresso, depois, a ordem.

Cadê o "progresso"?

sábado, 20 de junho de 2009

RESIDÊNCIA SHANGRI-LÁ 01 no ARCHDAILY.com Residência Shangri-la 01 - vista intena das lajes
Clique na imagem para ampliá-la

A residência Shangri-lá 01 foi publicada no ArchDaily.com onde os comentários oscilaram entre "amo ou odeio", o que me agradou muito mesmo não entendendo como analisar ou comentar uma obra arquitônica sem o contato físico, pois este projeto não foi concebido como um objeto fotogênico/cinematográfico, como a maioria dos projetos publicados em nossa mídia arquitetônica, de fácil digestão; cubos, retângulos suspensos e quase sempre com dois pavimentos em lotes alheios ao entorno longínquo.
Estaríamos vivendo uma época de críticos apenas imagéticos formados por suas produções de igual superficialidade?
Agradeço ao arq.Nicolas Saieh, ArchDaily pela publicação
Link:
ArchDaily:


quarta-feira, 22 de abril de 2009

ABRIGO/MANIFESTO EM PORTUGAL
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA

O artigo, assinado pela arq. Claudia Melo, saiu dia 18/04/2009 na "Revista de Sábado" do jornal portugues Diário de Notícias.
Agradeço, com isso, os arquitetos Carlos Pedro Sant'ana e Claudia Melo pela atenção e amplificação do Abrigo/Manifesto em Portugal.



sexta-feira, 27 de março de 2009

VERTICALIZAÇÃO BÍPEDE DE UMA ESPECULAÇÃO MÓVEL

" Water Serpents II", 1904-1907, óleo sobre tela 80x145cm
Gustav Klimt (1862-1918) - Viena, Austria
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA

No meio de alguns papéis encontrei um texto, ou melhor, um conto de minha autoria que achei pertinente incluir aqui.
Eu sei que, como arquiteto, deveria postar algum desenho, croquis ou fotos de alguma obra construída, mas acho que nada melhor que um texto, como processo de uma idéia, para redesenhar, através do silêncio da mente humana, a natureza inventada.
É da colisão do silêncio com a turbulência da mente humana que parte a arquitetura e não de uma planilha numérica.

Boa leitura e espero construir momentaneamente o silêncio em alguma mente.


CONTO EM VÃO
Adriano Carnevale Domingues


Quando morro perco a visão da hipocrisia, da injustiça destes homens de merda.
Um dia percebi que a produção só é valida quando possui o peso de sua remuneração, até mesmo sem qualificação;
As terras sobre as quais pisamos, nos impõem obstáculos que ultrapassamos só quando os analisamos, entendemos e confrontamos nossas vontades , qualificando-os não como barreiras, mas como ferramentas que nos ajudam, não nos pertencendo em hipótese alguma.
­_ O que será da minha vida?- Perguntou-me minha cabeça.
_Talvez ela já esteja sendo alguma coisa - retruca a inquietude.
_Quem está falando por mim? - interrompe subitamente minha boca.
Levanto-me vou até a janela, estou fora da terra, aproximadamente a sete andares dos meus obstáculos, não os toco, mal os vejo, meus pés medem o espaço em que vivo percorrendo os mesmos ambientes varias vezes por dia e perco assim a importante percepção do que é real e do que invento como obstáculo para des-humanizar nossa vida , satisfazendo nosso ego ao acreditarmos que os vencemos.
_Mas espere um pouco. Interrompe meu raciocínio.
_Porque devemos nos sentir vitoriosos com os obstáculos que nos mesmos criamos? Qual é o real valor disto?
_Não há valor real nisto, pois nós perdemos a percepção - complementa a lógica.

quarta-feira, 4 de março de 2009

"O Colosso" , 1808-1812, óleo sobre tela
Francisco de Goya (1746-1828) ou Asensio Juliá?
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA


Sempre achei que a arquitetura devesse ser como uma música flamenca; Lucio Costa dizia que uma vez comprovada a funcionalidade do programa ou do objeto construido, o resto seria arquitetura, concordo plenamente e acrescento uma visão pessoal de que o resto seria musica flamenca petrificada. O resto seria o tesão, o ódio, o amor, a carne, o grito, o choro, o gozo, assim como nesta mais humana das formas artísticas, onde o próprio corpo serve de instrumento; seja nas palmas secas e ardidas, ou no trote quase animalesco das pisadas compassadas intercaladas pelo toque das pontas dos dedos em castanholas que se interrompem por gemidos viscerais como som de uma alma em ebulição.
Hoje dentro do meu carro, andando pela cidade, começou a tocar no radio o movimento largo da ópera “Xerxes”(Serse) de G. F. Handel que me fez fechar os vidros e aumentar o volume. Ao abafar o barulho urbano, deixando-o quase como uma apresentação mímica em movimento allegro, a melodia transformou a cena externa ou quem sabe a minha percepção daquilo que via e comecei a acompanhar a vida cotidiana quase que amortecido ao alcançar um ponto de suspensão que talvez apenas a música, dentre as artes, permita que isto aconteça.

Talvez isso devesse ser o meio humanoarquitetônico; criar pontos de suspensão na alma flamenca daquilo que vemos e somos.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIA-LA


Quando comecei, a idéia do Abrigo/Manifesto tinha dois pontos de mesma e especial importância; o primeiro era humanitário, de intolerância (sim, temos de ser intolerantes também) a esta fabricação social de seres invisíveis, onde homens, mulheres e crianças são tratados como sacos ou entulhos espalhados nas ruas.
O segundo ponto foi reconhecer o quão desconhecido era o arquiteto e seu real papel para a sociedade a qual ele se apresenta, sendo confundido como um fútil maquiador da paisagem, caricato até nas novelas.
Estaríamos condenados a buscar o respeito e uma remuneração justa paralela à honesta arquitetura, já que podaram nossa liberdade de criação e transfiguraram nossa imagem a ponto de grife de um stand de vendas? Desaparecemos das nossas cidades?
Comecei a entender uma cidade pela sua situação geográfica, ocupação física (construções) e humana. A ocupação física (construções) e a humana decorrem, ou deveriam, da mescla igualitária entre público (comum) e privado (particular), mas o que acontece é diferente. Devido ao nosso “grande e salvador” sistema do capital/lucro, o espaço público/comum se configurou pelo negativo do espaço privado/particular; a sobra, o resto. Esta configuração decorre de anos de empobrecimento comum, e que quanto mais tempo o homem vivencia inconscientemente uma situação, acaba por transforma-la em realidade sem que a consciência filtre, atrofiando assim, a sua percepção; aceitando este espaço público como espaço transitório entre seus interesses.
Uma vez que a percepção se atrofia, os sentidos se amortecem, o indivíduo desaparece e é comprado pela verdade do outro; o status é o que importa e é o preço de que o objeto ou pessoa vale.
Neste ponto, a relação está destorcida e começamos a ver tudo pelo olho particular da ação privada. O transporte público não funciona, nós compramos carros particulares; a saúde pública não funciona, nós pagamos pelo convênio médico particular; a segurança não funciona, nós pagamos por segurança privada ou nos fechamos em condomínios privados; e se resolvemos passear pela cidade, nos deparamos com praças e parque cercados e nenhuma infra-estrutura básica, como sanitários públicos gratuitos, nos levando a mais uma vez apelar para um estabelecimento privado. Sem um aparente “dono”, (mais uma vez uma visão privada), o espaço comum é loteado inconscientemente pela população no raio próximo às suas propriedades, e se incomodam com a presença de um morador de rua, não por se tratar de um ser humano em uma condição especial, mas por atrapalharem a ordem dentro do seu raio privado. Mas se este mesmo ser humano, transformado pela sujeira urbana se parecer com seus sacos de lixo, subitamente se tornará invisível, por consequência, não mais um problema. Esta invisibilidade para alguns desencadeia uma anulação do indivíduo e o fim da auto-estima, levando a uma entrega a substancias anestesiantes; para outros a raiva, uma vez que não existem, podem tudo; começa a violência. Consciente do fenômeno da raiva, a propriedade se cerca e fecha, abandonando o espaço comum, o transformando em resto, o seu negativo...
...parece que retornamos ao ponto de partida. Girando a roda?
Não estou fundando nenhuma ONG (Organização Não Governamental), apenas re-apresentando o papel do arquiteto, ou pelo menos ao meu ver, como deveria ser, para que voltemos a interferir no espaço comum e que não nos limitemos a uma ou outra ação; sem rótulos. E que a ação vem da vontade e não da remuneração.
É claro que o arquiteto sozinho não transformará o status quo, não sou ingênuo, mas o abandono daquilo que nos é de responsabilidade, não fará a roda parar de girar.
Re-humanizemos a cidade ou re-urbanizemo-nos; isto é o Abrigo/Manifesto, isto é o re-HUrbManismo.
Link:
Publicação deste texto no site do IAB-SP:

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

RESIDÊNCIA SHANGRI-LÁ 01
EXPOSTO NA BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO -2003
arq. Adriano Carnevale Domingues
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIA-LA


Devido ao formato do terreno e a intenção de deixar a maior área livre possível, a residência foi implantada no fundo do lote, liberando a perspectiva de seu entorno.
Assim implantada, a fachada frontal fica voltada para o sudeste, ficando prejudicado o aproveitamento de grande parte de seu interior da luz e ventilação naturais, levando à solução de fragmentar a cobertura afim de deixa-la visualmente permeável, criando assim, pontos de tensão e ruptura da unidade.
A construção tem um só nível; com salas de estar, jantar e TV, cozinha, despensa, área de serviço, 02 dormitórios, 01 banheiro social, suíte de casal, oficina, atelier e churrasqueira.
Nesta arquitetura, as partes intercomunicam-se, interferem-se e se unem, descaracterizando os limites do programa; propositalmente quebram ângulos e em relação ao reticulado ortogonal do piso, invadem e movimentam os espaços.
As partes truncadas por pérgolas e planos movimentados descompassadamente que geram aberturas em suas extensões; (continuidade vertical) cobrem como uma pele que não só envolve mas descasca, abre o interior e dá vida a sua essência; aproveitando e interagindo com a natureza, captando a luz solar, tornando-a de certa forma, uma unidade autônoma poupando gastos de eletricidade, assim como as placas solares que aquecem as águas.
O telhado de cerâmica com poucas águas dialoga com o contexto da região remetendo a tipologia presente no entorno. Uma vez inserida neste contexto, a residência quebra a repetição, criando em si, relações de oposição que marcam uma identidade não comparativa.
Fazendo uma analogia à música, cito Stravinsky ao descrever sua obra: “Em minha música, não me interessa a harmonia, mas a intensidade dos intervalos”; reforço a intrusão, mesmo que funcional, de um novo ritmo na cobertura até então harmônico com o entorno.
A arquitetura agora rompida, não une mais geometrias para qualificar os espaços e os justificar como ambientes, mas movimenta os limites e muda a percepção.

Link:

ARCHITECTURAL RECORD:


NEW ITALIAN BLOOD:

IGREJA COMUNITÁRIA
PROJETO PREMIADO - JOVENS ARQUITETOS IAB
arq. Adriano Carnevale Domingues CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIA-LA


Olho para o céu buscando a Deus e sinto que minha fé quebra a realidade quando vejo o movimento das coisas que me cercam e que só existem para mim da forma em que posso percebe-las. Para cada um o mundo é feito, não para todos. Crio a dimensão e a enquadro.
Olho para o chão buscando a Deus e sinto meus pés parte dele; pois só me descolo por um instante para logo encontra-lo, quem sabe talvez até com minhas mãos.
Cada pessoa se conhece subjetivamente por “EU” e se analisa por partes de uma total complexidade que existe pela relação entre inúmeros “EUS”.
Só apenas nos seres humanos esta relação chega ao ponto da filosofia que em todo o resto se caracteriza por um ciclo de coação irracional com a mesma classificação de “EUS”.
Então, sinto a somatória de indivíduos, de percepções diferentes, de um ser só, de EU, de EUS, de DEUS. Então se olho para o céu, busco puramente à contemplação e se no chão me encontro, movimento-me para a percepção de “D(EU)S”.
A obra será implantada de modo que não separe a natureza presente no local e permita que os fiéis e padres criem relações das partes em que a construção enquadrará da criação divina.
De formato retangular, uma marquise plana periférica, à 4,00 metros de altura, delimitará, a uma primeira visão, o corpo construído. Esta marquise, simbolicamente, coroará a cobertura que levemente inclinada apontará tanto para o solo quanto para o céu; como em sinal de respeito, esta “cabeça”, agora coroada, louva e se une a toda a criação.
Esta cobertura central permitirá que a nave e o altar da igreja tenham a luz solar como principal iluminação e a perspectiva do céu como fundo ou parte da nossa visão.
O altar tem ao fundo duas paredes desencontradas de 2,50 metros de altura e 30 centímetros de distância que as separam no eixo central da igreja.
Esta distância, criada pelo desencontro, forma a haste vertical da cruz tendo o sacrário como único ponto de encontro destas paredes e base da mesma cruz.
No topo destas paredes, no sentido do seu desencontro central (haste vertical) para os seus lados, há um desnível de aproximadamente 30 centímetros a fim de formar a haste horizontal da cruz; e por fim, uma coroa de espinhos pendurada sobre todo o conjunto.
Atrás do altar, seguindo o mesmo eixo central, fica uma área reservada para o confessionário. Do lado esquerdo fica a sacristia/sala de reuniões com acesso tanto interno da igreja como externo para o sanitário de uso exclusivo do padre e acesso aos confessionários. Do lado direito estão os sanitários masculino e feminino, sendo um, dimensionado para a utilização de deficientes físicos; e um sanitário de uso exclusivo do padre, todos com acesso externo à igreja.
Envolvendo toda a igreja, um sinuoso fechamento de estrutura metálica circular com distância de 1,20 metros cada, com placas de perfil de madeira revestido de juta tratada filtram a luminosidade e visão, permitindo quando destravadas, seu movimento ao vento e percepção ao tempo enquadrado em imagens da complexa criação. Estas placas de madeira e juta poderão ser manufaturadas pela própria comunidade, a fim de reduzir o custo da obra e incentivar a união comunitária.
Este revestimento de juta tratada acolhe os fiéis junto à natureza e remete à vestimenta e manto de Cristo; uma vez que a cruz posta no exterior, inclinada junto ao solo, indica a sua presença e quem sabe sua passagem.
Os bancos de madeira estão dispostos nas laterais da nave a fim de liberar o eixo central que liga o exterior ao altar e que será revestido com cimento queimado facilitando a locomoção dos fiéis; uma vez que o piso sob os bancos será de pedras de paralelepípedos sobre o solo sem a utilização de cimento para o seu travamento, propositalmente fará com que cada indivíduo preste atenção ao solo em que pisa, na vida em que brota espontaneamente sob seus pés, alterando seu ritmo e o levando a respeitar nossas próprias fragilidades.
Os sentidos levarão à percepção individual da obra e o que a emoldura.
A visão criará focos de luz, sombras, infinito, fragmentos e totalidade. A audição ampliará o volume daquilo que existe mas nos é por vezes invisível. Os materiais que só através do tato nos mostrará a identidade daquilo que nos cerca de várias texturas e movimentos; filtrando em nosso olfato, cheiros trazidos pelos ventos.E por fim, receberemos o corpo de Cristo em nossas bocas e todos os sentidos nos levarão à percepção de d(EU)s.
Link:

RESIDÊNCIA SHANGRI-LÁ 02
arq. Adriano Carnevale Domingues
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIA-LA

Este projeto foi encomendado por uma família constituída de 04 pessoas; 02 adultos e 02 crianças. O terreno de 1.200,00m2 fica na região de Campinas, interior de São Paulo em um condomínio fechado, na esquina da rua Dr. José Mércio com a rua Raul Guedes de Melo
A idéia do projeto, surgiu não apenas do programa comum à uma residência, mas da ocupação fluida de um abrigo que indica um percurso, um caminho, uma continuidade espacial que parte do solo ocupado e se projeta ao céu como se explicássemos as formas sinuosas da natureza, de uma montanha, através do movimento mímico, silencioso.
Da mesma maneira que ao arrancarmos algo do solo, trazemos parte dele junto; trago junto à este movimento, ligações ao seu plano de origem, mostrando a raiz submersa que estrutura o movimento sinuoso de um gesto natural e que desenvolve a essência e o programa do projeto.
Este percurso caracterizado por lajes inclinadas, abre o bloco convencional à livre escolha de circulação e evita a hierarquização dos espaços.
A residência é formada por 03 dormitórios retangulares com seus respectivos banheiros, intercalados por ambientes de apoio, tais como dormitório de hospedes, biblioteca, sala de brinquedos, etc..., sendo caracterizado dependendo da necessidade.Garagem para 04 autos, cozinha com despensa, área de serviço externa e grande salão com sala de televisão. Parte da cozinha, em diagonal, uma mesa em direção ao salão com função de bancada para cuba e fogão, e apoio às refeições. Esta mesa/bancada, filtra o espaço comum do espaço privado/intimo caso seja de interesse.
Os quadrantes norte e leste são fechados para proteção térmica, tendo abertura apenas nos dormitórios de muxarabis de madeira, permitindo a ventilação e o acesso externo. No quadrante oeste, um grande painel de muxarabi de madeira, garante a sombra e a intimidade do salão em relação a rua. Este painel de madeira possui abertura para acesso externo, onde a continuidade do jardim é retomada.
Estas lajes inclinadas, serão revestidas de pedra portuguesa referente às calçadas urbanas, continuando assim a idéia da não interrupção do percurso, mesmo que apenas visual, em lote privado, além de auxiliar na impermeabilização e conforto térmico.
A apresentação de um projeto, para alguns, não representa arquitetura, já que não se trata de objeto construído; mas pretende-se aqui, por um instante, abstrair a futura construção ou proprietários, como as “casas sem donos” de Lúcio Costa, evidenciando mais uma vez a idéia decorrente da liberdade de criação, da dissolução do cubo rígido e nem sempre racional que hoje se repete como solução preguiçosa, imediata e decorativa. Os cubos de concreto e vidro que se opunham às “casas de estilos”, hoje, se tornam as mesmas.
Link:
Premiação IAB-SP 2006:
NEW ITALIAN BLOOD:
ABRIGO / MANIFESTO
Uma ação de re-HUrbManismo
PROJETO PREMIADO - PREMIAÇÃO ANUAL DO IAB
CONVIDADO PARA EXPOSIÇÃO DE ARTE "DIE TROPEN" - BERLIM ALEMANHA

arq. Adriano Carnevale DominguesCLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIA-LA



Sai da tua infância, amigo, desperta !Jean-Jacques Rousseau

A justiça social não é um princípio de massa, mas sim, de indivíduos. Mesmo que a massa se satisfaça com seu estado, há sempre um indivíduo que sofre. Poderia haver justiça humana nisso? Se respondermos que sim, justificaríamos a opressão... Para construir uma sociedade justa é preciso que essas pessoas exiladas, recebam primeiramente justiça. Chama a esta pessoa, o habitante. Chama a esta pessoa de você, você mesmo.”
Trecho extraído do texto “Anarquitetura: A arquitetura é uma ação política.” do arquiteto americano Lebbeus Woods.


Século XXI, os automóveis ainda continuam sobre a terra, o tempo ultrapassa a sua relação com o espaço, transformando a imagin(ação) em virtualidade. A pobreza aumenta e a grande maioria vive mal, dos ricos aos pobres, das casas às cidades; nós arquitetos estaremos fadados, ao total desprezo e mau entendimento por parte de quem nos contrata, enquanto ficarmos pensando na massa como constituição social, incentivando à cópia, à inutilidade, à repetição de estilos globais e fotogênicos, esquivando-nos das resoluções e questionamentos pontuais.
“Estamos presenciando um Classicismo de segunda patrocinado por pessoas que enriqueceram no mundo moderno mas fingem viverem como “lordes” em uma sociedade feudal”, disse Peter Davey editor da revista The Architectural Review.
Estamos deixando apagar os rastros deixados pelos grandes arquitetos, devemos abrir as portas de nossas reuniões profissionais, devemos por nas ruas as nossas percepções, para que a sociedade civil entenda e veja pelos nossos olhos.
Talvez a arquitetura não seja realmente importante, como diz o Arq. Oscar Niemeyer, e que o importante é mudar este mundo injusto; mas utilizaremos então a arquitetura como uma de nossas ferramentas , já que está na ação, intenção e invenção a diferença que nos qualifica.
Moraríamos nas cidades, não como quem ocupa casulos com vista para o céu e ignora o chão sujo. O espaço público esta como o resto das nossas construções, não respirando sem elas.
O triste é que o espaço comum só adquire valor se consumido pelo privado.
O ABRIGO / MANIFESTO foi criado para, primeiramente, proteger seres humanos que se encontrem em lugares diversos e depois alterar a percepção daqueles que passam e não enxergam nada além de seus celulares, (re)apresentando o que também é arquitetura.
Este abrigo é constituído de duas bases de ripas de madeira dispostas paralelamente com distância de aproximadamente 1,00 metro (variável de acordo com a necessidade) por onde saem fios de arame de aço revestidos por mangueiras de borracha, permitindo mobilidade e maleabilidade.
Este conjunto de mangueira / arames estrutural possui três comprimentos distintos, criando três camadas para afixar materiais de cobertura. Nas duas camadas mais altas estão duas placas compostas de alumínio para o lado externo, refletindo o calor , e juta resinada para o lado interno, criando uma fibra de maior resistência para o material. Estas placas ficarão uma em cima da outra com vão livre para circulação de ar e poderão deslizar sobre as mangueiras/arames estruturais a fim de um melhor isolamento térmico. Abaixo destas placas, seguido por mais um espaço para circulação de ar, uma cobertura impermeável de PVC com fibra de nylon envolve o morador tanto por cima quanto o isola do chão úmido.
As extremidades maleáveis pelo arame e mangueira possibilitam o aumento da área interna do abrigo.
Erguendo uma das bases de madeira, o abrigo até então em forma de arco, se transforma em uma letra “ C “, permitindo que o morador coloque seus pertences dentro da cobertura de PVC que o envolvia. Seguindo a transformação, o morador continua enrolando o conjunto, agora em forma de caracol; amarrando-o
Duas pequenas rodas localizadas na outra base de madeira, possibilitam sua locomoção.
A forma não deriva da função, pois esta já está caracterizada por si só, mas sim pela fragmentação e movimentação de suas partes em busca da ação desejada.
Vivemos em uma “ democracia “ cada vez mais fortalecida em uma sociedade que se vangloria a cada eleição como seu único grande ato cívico.
Grande “ democracia “ onde um mendigo se confunde com seus pertences embalados em sacos plásticos, desumanamente invisível, o que para a sociedade é bom, pois não precisa enxergar a decadência de seu poder, sofrendo ataques e ações autoritárias.
Departamentos governamentais e sociedade aprovam e compram construções especulatórias onde os espaços encolhem proporcionalmente ao número de ornamentos inúteis de suas fachadas, onde o projeto aparece de planilhas numéricas e quantitativas. Os espaços ganham nomes importados e o ser humano, que deveria estar no principio da criação arquitetônica, aparece por último, apenas para garantir o retorno do investimento.
CIDADE/ARQUITETURA x SER HUMANO - re-Humanizemos-a ou re-Urbanizemo-nos?
Vamos encarar a urgência de tomarmos à frente daqueles que degradam nossa profissão e nossas cidades.
Que a arquitetura saia destas imagens inúteis, pensamentos e frases acadêmicas e se ligue à multidão.
Vamos leva-la a sério.

Links:

Texto re-HUrbManismo:


Video da exposição "Die Tropen"-Berlim:


Exposição "Die Tropen"-Berlim:


Jornal Folha de São Paulo:


New Architectural Expression:


New Italian Blood:


MUSEU DA TOLERÂNCIA
arq. Adriano Carnevale Domingues
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIA-LA


Observou-se mal a vida, se ainda não se descobriu a mão que, piedosamente, mata.
Friedrich W. Nietzsche

Vamos celebrar a estupidez humana ...
Renato Russo

Evoluímos como esperado? Racionalizamos a espontaneidade ou atrofiamos nossa percepção?
Há tempos, aqueles que um dia nos foram apresentados como primitivos/ selvagens se uniam com seus iguais e com o espaço ocupado, com o mesmo respeito à seres animados e seres inanimados ao ponto de ritualizar suas ações como se as dessem vozes para um ouvido onipresente. A terra não era ocupada e sim sua parte integrante, talvez a mais superiora delas, com forças por vezes delimitadoras. Crescia no homem o sentido de respeito e limites.
A natureza dava o alimento nas mãos até o dia em que começaram a estocar, ato de aparente conforto uma vez que começavam a se socializar mesmo agrupando em casulos seletivos. Uma vez com reserva nutricional, poderiam distanciar-se da natureza, ponto esse que começariam a altera-la, sobrepondo-se a ela.
O respeito desaparecia na proporção de um pseudo crescimento sócio-cultural patrocinado por um ego insatisfeito, que ciclicamente clamava por competição.
A percepção enfraquecida pelo atrofiamento dos sentidos, uma vez vítima de nossas próprias criações, fez-se um campo fértil para o individualismo egoísta a ponto da raça humana não se tolerar mutuamente.
Uma vez detectado o empobrecimento da percepção humana, caracterizando inúmeros exemplos de intolerância, historicamente já citados, o Museu da Tolerância terá sua concepção arquitetônica baseada no universo transitório da ação humana. A dualidade do bem e do mal, não apenas no sentido cristão de seus significados, mas na força muitas vezes ditatorial de transformação dos valores de uma sociedade; afetando profundamente o sítio de sua implantação.
O estrangulamento da área em razão das leis urbanas de recuos, afastamentos e altura, obriga a alteração do solo a fim de respeitar o programa pré-estabelecido.
O acesso se dará ao nível da rua sem interrupção entre os espaços. Neste ponto cria-se um estranho desequilíbrio já que o raciocínio da implantação, propositalmente explicita os limites legais para ocupação, sendo fortemente marcado pela estrutura periférica e externa às vedações; esta marcação é uma alusão aos campos de concentração nazista, com cabos de aço travando o bloco delimitador mesmo que visualmente permeável. Estes cabos de aço serão rompidos apenas nas áreas de acesso, abrindo a conexão, como uma praça, onde ficará a recepção e o acesso para todo o museu.
A área de exposição temporária começa em declive, do acesso (nível da rua) até o piso plano a 4,00 metros abaixo pertencente a mesma exposição temporária. Esta intervenção no terreno, simula novas curvas de níveis em lajes descoladas da laje de piso, com a intenção de ventilar e iluminar parte da área da exposição permanente logo abaixo, além de recriar um terreno artificial baseado na erosão de lugares esquecidos.
Nos vales de erosão, geralmente os dejetos são jogados, corpos abandonados, usaremos então este fosso como o epicentro, o grande exemplo de alteração ambiental para mostrarmos nas exposições as ações humanas positivas e/ou negativas, pois toda ação repercute, reverbera, altera.
Para a percepção daqueles que passam pelas áreas próximas, haverá na área de maior perspectiva do terreno, voltada para a praça Profº Jorge Americano, um bloco de concreto oco, inclinando para o grande fosso como se estivesse sendo tragado, abriga a loja e o café no mezanino; tendo os elevadores de acesso do público às exposições, além de servir como cobertura da recepção.
Externo e revestindo este bloco de concreto, haverão várias placas de barro queimado (como telhas) com distâncias diferentes presas em espinhos de ferro, como se descascassem de seu corpo, remetendo ao solo seco do nordeste e agora da Amazônia. Tais placas de barro serão moldadas pelos trabalhadores da obra em loco, agregando valor e diferença de forma em suas superfícies, uma vez que a absorção individual das informações , não necessariamente resultam na igualdade das respostas.
No fosso (nível –4,00 metros) ficarão além das exposições temporárias,a área de montagem com uma sala para coordenação, reserva técnica, cinema e sanitários.
Descendo mais 4,00 metros (de piso a piso) ficarão o auditório com sanitários e o espaço para a exposição permanentes aonde painéis estarão dispostos de maneira a formar aparentes salas convencionais , separadas em dois grupos de acordo com o tema da exposição ( ações benéficas e maléficas ). Separando estes dois grupos, no sentido longitudinal, terá uma parede sinuosa transparente de meia altura, contínua, permitindo que, visualmente, o antagonismo dos temas expostos, sejam sempre comparados.
No lado do grupo que expõem ações humanas negativas, um tecido na cor de sangue tornará o teto flácido, interferindo na apreensão total dos espaços. Os painéis nos quais ficarão os documentos, quadros, fotos, etc.., a serem expostos, rotacionarão em torno de um eixo central na velocidade lenta, a fim de quebrar o percurso lógico de visitação, causando desconforto nos visitantes.
No outro lado, o grupo de exposição sobre ações humanas positivas, ficará sob a área do pavimento superior em que as lajes descoladas recriam uma nova topografia, dando uma sensação de desafogo, dando vida às imagens e liberando a perspectiva para o céu.
Restando os vestiários, copa, almoxarifado, manutenção e reservatório de água logo abaixo.
À cima do grande fosso das tolerâncias e intolerâncias humanas, suspenso 6,00 metros do nível da rua, ficarão os espaços destinados a aprendizagem, com salas de aula, laboratórios, biblioteca; área administrativa e coordenação das exposições e alimentação, com restaurante na cobertura, num total de quatro andares.
Cada andar estará desencontrado do andar seguinte para melhor captação da luz natural, seja pelas aberturas horizontais ou por clarabóias resultantes dos espaços destes desencontros.
Estes quatro andares romperão os limites da estrutura periférica, como se almejasse não mais interferir o espaço comum.
Entre a estrutura periférica e as lajes suspensas, terá um tecido para vedação e sinalização de temas sobre diversos assuntos expostos ou em pauta para interação até mesmo daqueles que só passam e começariam a interagir. Este tecido representa uma cortina que ao invés de esconder as atrocidades, reforça o peso dos assuntos abordados.Fica assim então repartido e confrontando a polaridade da falta de limites aliada a alteração nefasta por propósitos pequenos, contra o respeito e até mesmo a exclusão contemplativa do estado natural das coisas como entendimento da extensão de cada um.


LATVIAN NATION
REFLECTING SOULS MEMORIAL
arq. Adriano Carnevale Domingues

 
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIA-LA 


Inclino-me no rio Daugava, como sinal de respeito, ajoelho á sua margem e percebo que toda água sua não tem o propósito de saciar minha sede; talvez inundar minha razão inquieta. Tão logo percebo minha imagem em sua superfície confusa com tudo que até então estaria atrás de mim criando um novo quadro.
Sinto-me, então, parte de uma realidade transitória, mas que me liga á percepção e a reflexão do tempo além do espaço.
O céu agora embaixo de mim, põe-me cara a cara com a imaterialidade.
Olho para o horizonte, ainda ofuscado pelo reflexo da luz solar na superfície do rio Daugava, e levo fragmentos do que ficou registrado em minha mente e povôo a ilha com memórias de toda nação unida.
Lembro do ano de 1989, milhares de pessoas de mãos dadas confirmando o sentimento de união que nunca foi destruído ou retirado á força.
Esta imagem ainda forte em minha mente, norteia a idéia de um memorial que celebre a alma unida de todo o povo da Latvia.
Tubos metálicos subirão e descerão ao longo de seu percurso tendo suas extremidades por vezes no solo da ilha, no rio ou no ar.
Ao longo deste tubos metálicos existirão placas de espelhos (ou qualquer outro material reflexivo) onde serão gravados os nomes de todos os cidadãos mortos ou desaparecidos da Latvia durante as ocupações. O espelho inclinará levemente para o céu, levando a imaterialidade e reflexão,assim que o espelho volta para a posição vertical, nossa imagem se une ao entorno e à milhares de nomes dos antepassados, mais uma vez pondo enfrente de nós o que até então estava trás e me recordo do Daugava que me trouxe este fragmento de reflexão.
Quando inclinadas, as placas de espelhos refletirão o sol criando pontos de brilho intenso, ofuscando por vezes os visitantes, que apelam à memória na falta da visão nítida; além de dar vida à ilha quando vista de longe.
À noite, luzes no topo das colunas inclinadas, farão o papel da luz solar, recriando os mesmos efeitos de brilho ofuscante, além de criar fachos de luzes no céu; protegendo então, a nação contra qualquer noite de terror, como as de 13 e 14 de julho de 1941.
Na parte da ilha estrangulada pelos dois lotes que não pertencem á Fundação KOKNESES, ficarão as salas para explicações e informações, ponto escolhido, pois com o estreitamento, a concentração de visitantes será maior, facilitando a propagação das idéias, além de mostrar que a união desta nação nunca será rompida mesmo sobre pressão externa.
Para que a ilha não fique apenas para visitação, nas grandes áreas abertas proponho atividades sociais, tais como cinema e concertos ao ar livre, exposições de artes e literatura para que se torne um ponto de convívio e reflexão de vidas.
CONCURSO NOVA SEDE DO IPHAN
arq. Adriano Carnevale Domingues
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIA-LA


Começo minhas intenções, citando o arquiteto Lúcio Costa e parte do seu relatório do plano piloto de Brasília.
... “Cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível própria do devaneio e à especulação intelectual capaz de torna-se, com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país...”
... “Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz.” ...

Parto deste princípio e assinalo o lugar, mas desta vez não como quem toma posse, o sinal da cruz, mas quem indica um percurso, um caminho, uma continuidade espacial que parte do solo ocupado e se projeta ao céu como se explicássemos as formas sinuosas da natureza, de uma montanha, através do movimento mímico, silencioso.
Da mesma maneira que ao arrancarmos algo do solo, trazemos parte dele junto; trago junto ao movimento, ligações ao seu plano de origem, mostrando a raiz submersa que estrutura o movimento sinuoso de um gesto natural e que desenvolve a essência e o programa do projeto.
Este percurso caracterizado por uma laje, parte do sul junto ao terreno e se eleva em direção ao norte, liberando suas laterais para iluminação natural, além de proteger dos ventos predominantes do mesmo quadrante. À 45° deste eixo norte - sul no quadrante nordeste, um prolongamento que abriga o setor de Interação, serve como barreira, protegendo os acessos dos ventos vindos do leste que predominam ao longo do ano.
O projeto se desenvolve em dois subsolos, térreo, 1º e 2º pavimentos. O nível térreo está na cota 1.035,50m e será destinado á utilização de todas as pessoas, inclusive visitantes do IPHAN, contendo o estacionamento descoberto, os acessos verticais e o setor de interação/eventos com auditório e biblioteca com cafeteria, loja, recepção, área de leitura, acervo, reserva, arquivos e sanitários.
O sistema viário cortará o conjunto, permitindo o desembarque coberto, além do acesso ao 2º subsolo para o estacionamento coberto. Um braço lateral, ligará o térreo com o 1º subsolo onde estará a entrada de funcionários, ambulatório (permitindo o acesso de uma ambulância) e, onde se farão o abastecimento da cozinha.
O partido adotado, que tem grande parte do programa em subsolos, deriva da intenção de proteger as pessoas das intempéries.
No 1º pavimento, na cota +4,00m, sobre a biblioteca, estarão o salão de exposições, centro de memória e reserva técnica, seguido do 2º pavimento, na cota + 7,00m, reservado para o arquivo intermediário e permanente; caracterizando o setor de Interação como uma unidade independente.
O 1º subsolo será acessado por elevadores e escada, além da rampa de uso misto para automóveis e pedestres. Neste piso, um grande vazio central propiciará insolação e ventilação aos ambientes e terá apenas num dos lados espaço para circulação de automóveis, ligando-o ao 2º subsolo.
Os ambientes serão destinados à laboratórios, com acesso ao exterior (caso necessitem), salas de coordenação com divisórias de vidro, permitindo iluminação e maleabilidade no espaço futuramente, diretoria administrativa e administração da sede ,além da rampa de acesso ao 2º subsolo, tanto para pedestres como para automóveis.
Nas áreas destinadas à coordenação e diretoria administrativa, divisórias de vidro estarão dispostas de maneira que cada gerente esteja ladeado de suas respectivas divisões, além de não bloquear a luz no ambiente de trabalho. Vale ainda ressaltar, que a laje de cobertura das áreas de coordenação e laboratórios, serão inclinadas e protegidas por vegetação, ajudando no conforto térmico e na iluminação.
No 2º subsolo, seguindo a projeção do vazio central do 1º subsolo, estará um jardim ladeado, da mesma forma, pelas salas da diretoria, sala para grandes reuniões e o acesso ao estacionamento coberto. Este pavimento terá os acessos por meio de rampa, elevadores e escada. Da mesma maneira, divisórias de vidro estarão dispostas de forma que cada diretor esteja ladeado de suas respectivas divisões, além de facilitar a iluminação nas áreas de trabalho.
O setor da administração da sede, além do vazio central, terá acesso ao exterior com rua direta, possibilitando a entrada e saída dos funcionários, ambulância e facilitar o funcionamento da cozinha e restaurante. O restaurante terá , na área das refeições, uma clarabóia auxiliando na iluminação e ventilação.
As circulações horizontais nestes dois subsolos, se darão pelo perímetro do vazio central externo aos ambientes e, paralelo ao mesmo, no interior entre as divisórias.
Suspenso, sobre parte do conjunto na cota +6,50m, ficará o pavimento da presidência, com acesso de elevadores e escada. Um dos elevadores poderá ser exclusivo do presidente devido a sua localização próxima ao gabinete. Este conjunto tem a fachada oeste fechada, evitando o calor da tarde em contra partida do resto que será envidraçada.
A sinuosidade mencionada no início do texto, se dará por uma laje contínua que ora servirá de percurso, ora de apoio e ora de cobertura. Percurso- na ligação entre partes do pavimento térreo e rampa de ligação ao 1º subsolo e consequentemente ao 2º subsolo. Apoio- quando suporta e suspende o bloco da presidência e solta-o em balanço. Cobertura- a área da biblioteca/setor de Interação terá seus pavimentos superiores atirantados nela, a fim de liberar a planta; por fim no auditório e foyer, retorna ao piso, estendendo-se ao céu. Esta laje será revestida de mosaico de pedra portuguesa criando desenhos de obras tombadas pelo patrimônio, caracterizando a idéia de percurso, calçada ou até mesmo de linha do tempo, de onde se faz e tem a história preservada.