domingo, 24 de janeiro de 2010

ABRIGO/MANIFESTO em PORTUGAL
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O premiado Abrigo/Manifesto de minha autoria, após ser exposto em Berlim na exposição de arte "Die Tropen", está na edição 77 de Janeiro/Fevereiro-2010 da revista portuguesa ARQ./A - revista de arquitectura e arte.
Nesta edição, a revista aborda o tema arquitetura efêmera, que além do meu trabalho, mostra projetos dos ecritórios OMA, SANAA, Lot-EK, REX BAIXA ATELIER, WUDA, DAAS, RAUMLABORBERLIN, RECETAS URBANAS e ARNE QUINZE.
Para maiores informações acesse o site: http://www.revarqa.com/.
Agradeço ao arq. Carlos Pedro Sant'Ana pela matéria.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE! tela de Adriano Carnevale Domingues
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Máscaras LUBA


Definição:
A Luba (RDC): República Democrática do Congo - Africa

A Luba Africano como a maioria das pessoas acredita em um Deus que dá aos homens a forma de várias mentes. Esta divindade é expressa por 3 espíritos primário (a palavra, gesto e respiração). Suas esculturas descrevem como um livro, e em segredo, os mitos de origem e história das dinastias royales. Por isso que eles usam símbolos diferentes:

O ponto rodeado por 2 círculos é o símbolo divino.
O cone, espirais caracóis evocar o cabo trançado. Eles simbolizam vida, nascimento, fertilidade.
O ponto e os dois círculos, a torção espiral e expressar o mundo original, a criação do mundo.
A árvore de Ficus é sagrada desde o Antigo Egipto ea Mesopotâmia. Ela está ligada ao sangue menstrual e adivinhação. Ele é usado para esculpir objetos sagrados.
Kaolin simboliza os espíritos dos mortos.
Os triângulos referem-se a complementaridade entre homens e mulheres, o penteado cruciforme representa os 4 pontos cardeais.
O sol é o lado de Deus, de dia positivo.
A lua tem o seu lado negro, os maus espíritos.
As noites de lua cheia de motivos para sacrifício porque o poder dos maus espíritos é maior. O mundo dos mortos está localizado na Via Láctea.

Estas máscaras redondas são exclusivamente atribuídos a Luba. As linhas brancas está associada a características positivas (grau de pureza, bondade, luz, leite ...). A função destas máscaras Luba é benéfica; sua dança deve animar espíritos guardiões. As cores são simbólicos, tais como formulários, eles indicam "sexo" da máscara, mas também a sua magia em potencial.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues
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Abandono (óleo sobre tela 80X50cm)
Quão abandonados não se sentiriam nossos mártires hoje em dia?; Como a sociedade encara a fé, a crença, falando mais do que fazendo?, excluindo o diferente, não seriamos todos Sua imagem e semelhança?.
Consumimos nossos mártires não importando o discurso.
Discursamos em seus nomes no vazio da nossa ignorância.
Humanidade fútil sem raiz e na crença da propaganda.



ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE!
óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues
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Naturez morta (óleo/acrílico sobre tela 80x50cm)
Segundo os dicionários, "Natureza-morta" é um gênero de pintura em que se representa seres inanimados, como frutas, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras de metal, porcelanas, dentre outros objetos.
Nesta tela o título é natureza morta pois para mim quando os seres humanos são privados da liberdade, seja como castigo ou normas e leis; quando uma sociedade aprisiona os vivos (animais ou homens) é que a natureza morreu, foi assassinada. Humanidade que se priva da liberdade, dos atos espontâneos, e que reprime sua natureza; esta morta !
Humanidade que ensina a matar para depois punir; esta morta!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE! óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues
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Condicional (óleo sobre tela 80x100cm)

Acepções

■ adjetivo de dois gêneros

1 que contém, implica, é sujeito a ou dependente de uma condição; incerto, condicionado
2 Rubrica: gramática, lingüística. que expressa condição ou suposição; que introduz, contém ou implica uma suposição ou hipótese
3 m.q. condição ('obrigação, encargo' e 'situação')



"Sinto por vezes minhas pernas fracas, penso no cúmulo de mendigar ajuda, mas para quem ? É certo, na minha idade, ter que pedir?
Me lembro quando jovem da minha indignação em dividir meu espaço com mendigos nas ruas; _que pessoas folgadas, vagabundos, dizia eu. _É mais fácil pedir que trabalhar, justificava-me.
Agora, sinto que generalizei demais e sem saber, ensinava aqueles que hoje nem me ajudam ou sequer me vêem."


terça-feira, 3 de novembro de 2009

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE ! óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues
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Liberdade de expressão (óleo sobre tela 90X70cm)

Será que a censura continua, ou foi plantada a seu tempo em nós? Seria a superficialidade da imagem sem conteúdo a marca da futilidade mental semeada com a censura?
Às vezes sinto que falo para ninguém e a espontaneidade da expressão é barrada no limite da aceitação comum, nivelada pelo valor do consumo.
Agora vejo que a liberdade é amarrada e abafada pelo véu da hipocrisia.
Nasceu em nós a pior das censuras, enfim.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE !
tela de Adriano Carnevale Domingues
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Fraternidade (oleo/acrilico/carvão sobre tela 90x70cm)



"Não dê apenas esmolas; Dê futuro."




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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE !óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues
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Suspiro (óleo sobre tela 90X70cm)


Há tempos, uma lembrança do tempo de criança me visita , me acorda.
... assopre esta planta que ela voará! sussurra meu pensamento.
-Qual ? respondo com um movimento de sobrancelhas.
-Esta, que parece uma peruca branca. afirma meus olhos.
... e não é que com um atropelar da respiração vejo seus pequenos cabelos brancos voarem e sustentados pelo vento se despendem de mim...
Hoje, a buzina me desperta, a pedra é planta nos solos e aos poucos percebo a minha volta, a falta de suspiros das recordações que valham.
...






terça-feira, 22 de setembro de 2009

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE !óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues
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Bala perdida (óleo sobre tela 90X70cm)


Carlos Henrique, 15 anos, estava em um ônibus para passar o final de semana com seu avô viuvo , quando foi atingido...
Clarice, 33 anos, esperava seu primeiro filho após anos de trabalho e planejamento, quando foi atingida a caminho do trabalho...
Eduardo, 52 anos, foi atingido em seu carro devido a proximidade de um assalto no trânsito...
Janaína, 63 anos, foi atingida enquanto dormia em seu apartamento milionário.
Tatiana, 19 anos, acaba de conseguir uma vaga na companhia de ballet do Teatro Municipal, mas...



"Somos todos Sua imagem e semelhança"... e não números de uma estatística.







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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE !óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues
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"Fome" (óleo sobre tela - 90x70cm): Perco a boca diante da fome. Pedir, mendigar, vasculhar o resto em sacos lotados de pouca dignidade. O que é mais inconcebível? A ausência da boca em uma pintura ou a privação do alimento em campo fértil?






quinta-feira, 20 de agosto de 2009

IIº Salão de Inverno de Arte

Medalha de Ouro

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Os quadros "Herança" e "Comunhão" receberam medalha de ouro no IIº Salão de Inverno da Galeria Mali Villas-Bôas e ficarão expostos até dia 29/08.


Galeria Mali-Villas-Bôas
Rua Tabapuã, 838 / 5 - Itaim Bibi - São Paulo-SP



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE ! óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues
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Vênus/Afrodite (óleo sobre tela 90x70cm) - Vênus, Deusa da Natureza, Grande Mãe , mito da beleza e do amor, nasce em uma concha de madrepérola gerada pelas espumas. Era considerada a mãe do povo romano...Equivalente a Afrodite grega.
Os relatos impressos da humanidade muitas vezes alteraram mitos ou personificaram deuses às suas imagens, mas se a África é o "berço da humanidade", a representação mais honesta da Grande Mãe, deusa da natureza Vênus/Afrodite, mantendo esta denominação, seria de uma africana, negra, sem a tradução despigmentada greco-romana. A imagem mítica de acordo com a origem humana, primitiva e não de acordo com a força de um império.
"os mitos possuíam uma função extremamente importante nas sociedades primitivas, pois explicavam os aspectos essenciais da realidade, tais como a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais, assim como os processos interiores do próprio homem, juntamente com seus valores básicos. Eram responsáveis não só pela educação e conduta desses povos, servindo como guias para uma vida segura, afastando quaisquer sentimentos de negação da existência, provenientes de uma real impotência em relação à supremacia das intempéries, doenças e mortes." (MONIZ, Luiz Claudio. Mito e música em Wagner e Nietzsche. Rio de Janeiro: Madras, 2007, p. 33).
Talvez, se não transformássemos tanto as imagens para que sejam semelhantes a nós, respeitássemos melhor as diferenças humanas mesmo em uma sociedade monoteísta, judaica, cristã...


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óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues

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Vazio (óleo sobre tela 90x70cm) - Dentre os animais, o homem talvez seja o único a sentir o "vazio", a profunda falta da razão, que se sente frágil e exposto quando nu, buscando o inexistente, o ideal, a lembrança, as saudades. Por ser condição do individuo, a solidão não é o grande mal da humanidade, mas sim o vazio.





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domingo, 26 de julho de 2009

ATÉ QUE A ARTE NOS SALVE !óleo sobre tela de Adriano Carnevale Domingues

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Hierarquia (oleo sobre tela - 80x50cm): Para que hierarquia? Qual é a hierarquia? : nós que escolhemos quem nos governa em uma democracia ventríloquo ou quem nos governa, nos manipula com seus títulos e patentes?

Que nação permanece integra num regime hierarquico onde a relação mutua atinge o ponto de superioridade de classes, regionalismo, financeira, cultural? Que nação permanece integra com os mandos e desmandos de uma hipocrisia viral?
Até quando vamos delegar o que é de nossa responsabilidade?

A hierarquia é o peso da prepotência humana.

Cadê o "progresso"?
Salvemos nossa honra e pátria!


quarta-feira, 15 de julho de 2009

A ARQUITETURA NÃO É MAIS ARTE ? !
A ARQUITETURA NÃO DERIVA MAIS DA ARTE ? !
óleo sobre telas de Adriano Carnevale Domingues
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Após a exposição de arte "Die Tropen" em Berlim cujo manifesto arquitetônico foi exposto, comecei uma série de óleo sobre telas como necessidade inerente e coerente de percepção e concretização filosófica das questões humanas.
Todas as telas não possuem fundos ou ambientes pois a questão desta série é apresentar o problema, a questão nua e crua que existe independente do lugar.
Uma representação gráfica da filosofia, por isso que os títulos são tão importantes para o total entendimento da obra. O abstrato e o figurativo; o pensamento e a realidade.
Naturez morta (óleo/acrílico sobre tela 80x50cm) - Segundo os dicionarios, "Natureza-morta" é um gênero de pintura em que se representa seres inanimados, como frutas, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras de metal, porcelanas, dentre outros objetos.
Nesta tela o título é natureza morta pois para mim quando os seres humanos são privados da liberdade, seja como castigo ou normas e leis; quando uma sociedade aprisiona os vivos (animais ou homens) é que a natureza morreu, foi assassinada. Humanidade que se priva da liberdade, dos atos espontaneos, e que reprime sua natureza; esta morta !

Herança (óleo/acrílico sobre tela 80X50cm) - Visão particular de como a sociedade não enxerga a importância das coisas, dos pensamentos, das artes, dos seres vivos... e consciente ou inconscientemente herdam a cegueira social e intelectual. Fábrica social de seres invisíveis, onde homens, mulheres e crianças são tratados como sacos ou entulhos espalhados nas ruas; anos de empobrecimento comum, e que quanto mais tempo o homem vivencia inconscientemente uma situação, acaba por transforma-la em realidade sem que a consciência filtre, atrofiando assim, a sua percepção, germinando uma nova realidade.

Abandono (óleo sobre tela 80X50cm) - Visão particular de como a sociedade encara a fé (independente de religião), falando mais do que fazendo, excluindo o diferente(sua imagem e semelhança), consumindo nossos martires não importando o discurso. Humanidade futil sem raiz.Quão abandonados não se sentiriam nossos martires hoje em dia?

Comunhão e Baiana (óleo sobre tela 1.00x30cm-cada) - Imagens estão deslocadas do centro da tela como um questionamento do que nós olhamos diretamente, por quais imagens nós estamos substituindo as antigas?, qual realidade criamos?, regionalizamos ou segregamos?, que o desequilibrio enquadrado chama a atenção para o problema, para a figura que passam desapercebidos no dia-dia, ou fingimos não ver assim como nos foi herdado?

sábado, 20 de junho de 2009

RESIDÊNCIA SHANGRI-LÁ 01 no ARCHDAILY.com Residência Shangri-la 01 - vista intena das lajes
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A residência Shangri-lá 01 foi publicada no ArchDaily.com onde os comentários oscilaram entre "amo ou odeio", o que me agradou muito mesmo não entendendo como analisar ou comentar uma obra arquitônica sem o contato físico, pois este projeto não foi concebido como um objeto fotogênico/cinematográfico, como a maioria dos projetos publicados em nossa mídia arquitetônica, de fácil digestão; cubos, retângulos suspensos e quase sempre com dois pavimentos em lotes alheios ao entorno longínquo.
Estaríamos vivendo uma época de críticos apenas imagéticos formados por suas produções de igual superficialidade?
Agradeço ao arq.Nicolas Saieh, ArchDaily pela publicação
Link:
ArchDaily:

quarta-feira, 22 de abril de 2009

ABRIGO/MANIFESTO EM PORTUGAL
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O artigo, assinado pela arq. Claudia Melo, saiu dia 18/04/2009 na "Revista de Sábado" do jornal portugues Diário de Notícias.

Agradeço, com isso, os arquitetos Carlos Pedro Sant'ana e Claudia Melo pela atenção e amplificação do Abrigo/Manifesto em Portugal.



sexta-feira, 27 de março de 2009

VERTICALIZAÇÃO BÍPEDE DE UMA ESPECULAÇÃO MÓVEL

" Water Serpents II", 1904-1907, óleo sobre tela 80x145cm
Gustav Klimt (1862-1918) - Viena, Austria
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No meio de alguns papéis encontrei um texto, ou melhor, um conto de minha autoria que achei pertinente incluir aqui.
Eu sei que, como arquiteto, deveria postar algum desenho, croquis ou fotos de alguma obra construída, mas acho que nada melhor que um texto, como processo de uma idéia, para redesenhar, através do silêncio da mente humana, a natureza inventada.
É da colisão do silêncio com a turbulência da mente humana que parte a arquitetura e não de uma planilha numérica.

Boa leitura e espero construir momentaneamente o silêncio em alguma mente.


CONTO EM VÃO
Adriano Carnevale Domingues


Quando morro perco a visão da hipocrisia, da injustiça destes homens de merda.
Um dia percebi que a produção só é valida quando possui o peso de sua remuneração, até mesmo sem qualificação;
As terras sobre as quais pisamos, nos impõem obstáculos que ultrapassamos só quando os analisamos, entendemos e confrontamos nossas vontades , qualificando-os não como barreiras, mas como ferramentas que nos ajudam, não nos pertencendo em hipótese alguma.
­_ O que será da minha vida?- Perguntou-me minha cabeça.
_Talvez ela já esteja sendo alguma coisa - retruca a inquietude.
_Quem está falando por mim? - interrompe subitamente minha boca.
Levanto-me vou até a janela, estou fora da terra, aproximadamente a sete andares dos meus obstáculos, não os toco, mal os vejo, meus pés medem o espaço em que vivo percorrendo os mesmos ambientes varias vezes por dia e perco assim a importante percepção do que é real e do que invento como obstáculo para des-humanizar nossa vida , satisfazendo nosso ego ao acreditarmos que os vencemos.
_Mas espere um pouco. Interrompe meu raciocínio.
_Porque devemos nos sentir vitoriosos com os obstáculos que nos mesmos criamos? Qual é o real valor disto?
_Não há valor real nisto, pois nós perdemos a percepção - complementa a lógica.

quarta-feira, 4 de março de 2009

"O Colosso" , 1808-1812, óleo sobre tela
Francisco de Goya (1746-1828) ou Asensio Juliá?
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Sempre achei que a arquitetura devesse ser como uma música flamenca; Lucio Costa dizia que uma vez comprovada a funcionalidade do programa ou do objeto construido, o resto seria arquitetura, concordo plenamente e acrescento uma visão pessoal de que o resto seria musica flamenca petrificada. O resto seria o tesão, o ódio, o amor, a carne, o grito, o choro, o gozo, assim como nesta mais humana das formas artísticas, onde o próprio corpo serve de instrumento; seja nas palmas secas e ardidas, ou no trote quase animalesco das pisadas compassadas intercaladas pelo toque das pontas dos dedos em castanholas que se interrompem por gemidos viscerais como som de uma alma em ebulição.
Hoje dentro do meu carro, andando pela cidade, começou a tocar no radio o movimento largo da ópera “Xerxes”(Serse) de G. F. Handel que me fez fechar os vidros e aumentar o volume. Ao abafar o barulho urbano, deixando-o quase como uma apresentação mímica em movimento allegro, a melodia transformou a cena externa ou quem sabe a minha percepção daquilo que via e comecei a acompanhar a vida cotidiana quase que amortecido ao alcançar um ponto de suspensão que talvez apenas a música, dentre as artes, permita que isto aconteça.

Talvez isso devesse ser o meio humanoarquitetônico; criar pontos de suspensão na alma flamenca daquilo que vemos e somos.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

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Quando comecei, a idéia do Abrigo/Manifesto tinha dois pontos de mesma e especial importância; o primeiro era humanitário, de intolerância (sim, temos de ser intolerantes também) a esta fabricação social de seres invisíveis, onde homens, mulheres e crianças são tratados como sacos ou entulhos espalhados nas ruas.
O segundo ponto foi reconhecer o quão desconhecido era o arquiteto e seu real papel para a sociedade a qual ele se apresenta, sendo confundido como um fútil maquiador da paisagem, caricato até nas novelas.
Estaríamos condenados a buscar o respeito e uma remuneração justa paralela à honesta arquitetura, já que podaram nossa liberdade de criação e transfiguraram nossa imagem a ponto de grife de um stand de vendas? Desaparecemos das nossas cidades?
Comecei a entender uma cidade pela sua situação geográfica, ocupação física (construções) e humana. A ocupação física (construções) e a humana decorrem, ou deveriam, da mescla igualitária entre público (comum) e privado (particular), mas o que acontece é diferente. Devido ao nosso “grande e salvador” sistema do capital/lucro, o espaço público/comum se configurou pelo negativo do espaço privado/particular; a sobra, o resto. Esta configuração decorre de anos de empobrecimento comum, e que quanto mais tempo o homem vivencia inconscientemente uma situação, acaba por transforma-la em realidade sem que a consciência filtre, atrofiando assim, a sua percepção; aceitando este espaço público como espaço transitório entre seus interesses.
Uma vez que a percepção se atrofia, os sentidos se amortecem, o indivíduo desaparece e é comprado pela verdade do outro; o status é o que importa e é o preço de que o objeto ou pessoa vale.
Neste ponto, a relação está destorcida e começamos a ver tudo pelo olho particular da ação privada. O transporte público não funciona, nós compramos carros particulares; a saúde pública não funciona, nós pagamos pelo convênio médico particular; a segurança não funciona, nós pagamos por segurança privada ou nos fechamos em condomínios privados; e se resolvemos passear pela cidade, nos deparamos com praças e parque cercados e nenhuma infra-estrutura básica, como sanitários públicos gratuitos, nos levando a mais uma vez apelar para um estabelecimento privado. Sem um aparente “dono”, (mais uma vez uma visão privada), o espaço comum é loteado inconscientemente pela população no raio próximo às suas propriedades, e se incomodam com a presença de um morador de rua, não por se tratar de um ser humano em uma condição especial, mas por atrapalharem a ordem dentro do seu raio privado. Mas se este mesmo ser humano, transformado pela sujeira urbana se parecer com seus sacos de lixo, subitamente se tornará invisível, por consequência, não mais um problema. Esta invisibilidade para alguns desencadeia uma anulação do indivíduo e o fim da auto-estima, levando a uma entrega a substancias anestesiantes; para outros a raiva, uma vez que não existem, podem tudo; começa a violência. Consciente do fenômeno da raiva, a propriedade se cerca e fecha, abandonando o espaço comum, o transformando em resto, o seu negativo...
...parece que retornamos ao ponto de partida. Girando a roda?
Não estou fundando nenhuma ONG (Organização Não Governamental), apenas re-apresentando o papel do arquiteto, ou pelo menos ao meu ver, como deveria ser, para que voltemos a interferir no espaço comum e que não nos limitemos a uma ou outra ação; sem rótulos. E que a ação vem da vontade e não da remuneração.
É claro que o arquiteto sozinho não transformará o status quo, não sou ingênuo, mas o abandono daquilo que nos é de responsabilidade, não fará a roda parar de girar.
Re-humanizemos a cidade ou re-urbanizemo-nos; isto é o Abrigo/Manifesto, isto é o re-HUrbManismo.
Link:
Publicação deste texto no site do IAB-SP:

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

RESIDÊNCIA SHANGRI-LÁ 01
arq. Adriano Carnevale Domingues
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Devido ao formato do terreno e a intenção de deixar a maior área livre possível, a residência foi implantada no fundo do lote, liberando a perspectiva de seu entorno.
Assim implantada, a fachada frontal fica voltada para o sudeste, ficando prejudicado o aproveitamento de grande parte de seu interior da luz e ventilação naturais, levando à solução de fragmentar a cobertura afim de deixa-la visualmente permeável, criando assim, pontos de tensão e ruptura da unidade.
A construção tem um só nível; com salas de estar, jantar e TV, cozinha, despensa, área de serviço, 02 dormitórios, 01 banheiro social, suíte de casal, oficina, atelier e churrasqueira.
Nesta arquitetura, as partes intercomunicam-se, interferem-se e se unem, descaracterizando os limites do programa; propositalmente quebram ângulos e em relação ao reticulado ortogonal do piso, invadem e movimentam os espaços.
As partes truncadas por pérgolas e planos movimentados descompassadamente que geram aberturas em suas extensões; (continuidade vertical) cobrem como uma pele que não só envolve mas descasca, abre o interior e dá vida a sua essência; aproveitando e interagindo com a natureza, captando a luz solar, tornando-a de certa forma, uma unidade autônoma poupando gastos de eletricidade, assim como as placas solares que aquecem as águas.
O telhado de cerâmica com poucas águas dialoga com o contexto da região remetendo a tipologia presente no entorno. Uma vez inserida neste contexto, a residência quebra a repetição, criando em si, relações de oposição que marcam uma identidade não comparativa.
Fazendo uma analogia à música, cito Stravinsky ao descrever sua obra: “Em minha música, não me interessa a harmonia, mas a intensidade dos intervalos”; reforço a intrusão, mesmo que funcional, de um novo ritmo na cobertura até então harmônico com o entorno.
A arquitetura agora rompida, não une mais geometrias para qualificar os espaços e os justificar como ambientes, mas movimenta os limites e muda a percepção.

Link:

ARCHITECTURAL RECORD:


NEW ITALIAN BLOOD:

IGREJA COMUNITÁRIA
arq. Adriano Carnevale Domingues

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Olho para o céu buscando a Deus e sinto que minha fé quebra a realidade quando vejo o movimento das coisas que me cercam e que só existem para mim da forma em que posso percebe-las. Para cada um o mundo é feito, não para todos. Crio a dimensão e a enquadro.
Olho para o chão buscando a Deus e sinto meus pés parte dele; pois só me descolo por um instante para logo encontra-lo, quem sabe talvez até com minhas mãos.
Cada pessoa se conhece subjetivamente por “EU” e se analisa por partes de uma total complexidade que existe pela relação entre inúmeros “EUS”.
Só apenas nos seres humanos esta relação chega ao ponto da filosofia que em todo o resto se caracteriza por um ciclo de coação irracional com a mesma classificação de “EUS”.
Então, sinto a somatória de indivíduos, de percepções diferentes, de um ser só, de EU, de EUS, de DEUS. Então se olho para o céu, busco puramente à contemplação e se no chão me encontro, movimento-me para a percepção de “D(EU)S”.
A obra será implantada de modo que não separe a natureza presente no local e permita que os fiéis e padres criem relações das partes em que a construção enquadrará da criação divina.
De formato retangular, uma marquise plana periférica, à 4,00 metros de altura, delimitará, a uma primeira visão, o corpo construído. Esta marquise, simbolicamente, coroará a cobertura que levemente inclinada apontará tanto para o solo quanto para o céu; como em sinal de respeito, esta “cabeça”, agora coroada, louva e se une a toda a criação.
Esta cobertura central permitirá que a nave e o altar da igreja tenham a luz solar como principal iluminação e a perspectiva do céu como fundo ou parte da nossa visão.
O altar tem ao fundo duas paredes desencontradas de 2,50 metros de altura e 30 centímetros de distância que as separam no eixo central da igreja.
Esta distância, criada pelo desencontro, forma a haste vertical da cruz tendo o sacrário como único ponto de encontro destas paredes e base da mesma cruz.
No topo destas paredes, no sentido do seu desencontro central (haste vertical) para os seus lados, há um desnível de aproximadamente 30 centímetros a fim de formar a haste horizontal da cruz; e por fim, uma coroa de espinhos pendurada sobre todo o conjunto.
Atrás do altar, seguindo o mesmo eixo central, fica uma área reservada para o confessionário. Do lado esquerdo fica a sacristia/sala de reuniões com acesso tanto interno da igreja como externo para o sanitário de uso exclusivo do padre e acesso aos confessionários. Do lado direito estão os sanitários masculino e feminino, sendo um, dimensionado para a utilização de deficientes físicos; e um sanitário de uso exclusivo do padre, todos com acesso externo à igreja.
Envolvendo toda a igreja, um sinuoso fechamento de estrutura metálica circular com distância de 1,20 metros cada, com placas de perfil de madeira revestido de juta tratada filtram a luminosidade e visão, permitindo quando destravadas, seu movimento ao vento e percepção ao tempo enquadrado em imagens da complexa criação. Estas placas de madeira e juta poderão ser manufaturadas pela própria comunidade, a fim de reduzir o custo da obra e incentivar a união comunitária.
Este revestimento de juta tratada acolhe os fiéis junto à natureza e remete à vestimenta e manto de Cristo; uma vez que a cruz posta no exterior, inclinada junto ao solo, indica a sua presença e quem sabe sua passagem.
Os bancos de madeira estão dispostos nas laterais da nave a fim de liberar o eixo central que liga o exterior ao altar e que será revestido com cimento queimado facilitando a locomoção dos fiéis; uma vez que o piso sob os bancos será de pedras de paralelepípedos sobre o solo sem a utilização de cimento para o seu travamento, propositalmente fará com que cada indivíduo preste atenção ao solo em que pisa, na vida em que brota espontaneamente sob seus pés, alterando seu ritmo e o levando a respeitar nossas próprias fragilidades.
Os sentidos levarão à percepção individual da obra e o que a emoldura.
A visão criará focos de luz, sombras, infinito, fragmentos e totalidade. A audição ampliará o volume daquilo que existe mas nos é por vezes invisível. Os materiais que só através do tato nos mostrará a identidade daquilo que nos cerca de várias texturas e movimentos; filtrando em nosso olfato, cheiros trazidos pelos ventos.E por fim, receberemos o corpo de Cristo em nossas bocas e todos os sentidos nos levarão à percepção de d(EU)s.
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RESIDÊNCIA SHANGRI-LÁ 02
arq. Adriano Carnevale Domingues
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Este projeto foi encomendado por uma família constituída de 04 pessoas; 02 adultos e 02 crianças. O terreno de 1.200,00m2 fica na região de Campinas, interior de São Paulo em um condomínio fechado, na esquina da rua Dr. José Mércio com a rua Raul Guedes de Melo
A idéia do projeto, surgiu não apenas do programa comum à uma residência, mas da ocupação fluida de um abrigo que indica um percurso, um caminho, uma continuidade espacial que parte do solo ocupado e se projeta ao céu como se explicássemos as formas sinuosas da natureza, de uma montanha, através do movimento mímico, silencioso.
Da mesma maneira que ao arrancarmos algo do solo, trazemos parte dele junto; trago junto à este movimento, ligações ao seu plano de origem, mostrando a raiz submersa que estrutura o movimento sinuoso de um gesto natural e que desenvolve a essência e o programa do projeto.
Este percurso caracterizado por lajes inclinadas, abre o bloco convencional à livre escolha de circulação e evita a hierarquização dos espaços.
A residência é formada por 03 dormitórios retangulares com seus respectivos banheiros, intercalados por ambientes de apoio, tais como dormitório de hospedes, biblioteca, sala de brinquedos, etc..., sendo caracterizado dependendo da necessidade.Garagem para 04 autos, cozinha com despensa, área de serviço externa e grande salão com sala de televisão. Parte da cozinha, em diagonal, uma mesa em direção ao salão com função de bancada para cuba e fogão, e apoio às refeições. Esta mesa/bancada, filtra o espaço comum do espaço privado/intimo caso seja de interesse.
Os quadrantes norte e leste são fechados para proteção térmica, tendo abertura apenas nos dormitórios de muxarabis de madeira, permitindo a ventilação e o acesso externo. No quadrante oeste, um grande painel de muxarabi de madeira, garante a sombra e a intimidade do salão em relação a rua. Este painel de madeira possui abertura para acesso externo, onde a continuidade do jardim é retomada.
Estas lajes inclinadas, serão revestidas de pedra portuguesa referente às calçadas urbanas, continuando assim a idéia da não interrupção do percurso, mesmo que apenas visual, em lote privado, além de auxiliar na impermeabilização e conforto térmico.
A apresentação de um projeto, para alguns, não representa arquitetura, já que não se trata de objeto construído; mas pretende-se aqui, por um instante, abstrair a futura construção ou proprietários, como as “casas sem donos” de Lúcio Costa, evidenciando mais uma vez a idéia decorrente da liberdade de criação, da dissolução do cubo rígido e nem sempre racional que hoje se repete como solução preguiçosa, imediata e decorativa. Os cubos de concreto e vidro que se opunham às “casas de estilos”, hoje, se tornam as mesmas.
Link:
Premiação IAB-SP 2006:
NEW ITALIAN BLOOD:
ABRIGO / MANIFESTO
Uma ação de re-HUrbManismo

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Sai da tua infância, amigo, desperta !
Jean-Jacques Rousseau


A justiça social não é um princípio de massa, mas sim, de indivíduos. Mesmo que a massa se satisfaça com seu estado, há sempre um indivíduo que sofre. Poderia haver justiça humana nisso? Se respondermos que sim, justificaríamos a opressão... Para construir uma sociedade justa é preciso que essas pessoas exiladas, recebam primeiramente justiça. Chama a esta pessoa, o habitante. Chama a esta pessoa de você, você mesmo.”
Trecho extraído do texto “Anarquitetura: A arquitetura é uma ação política.” do arquiteto americano Lebbeus Woods.




Século XXI, os automóveis ainda continuam sobre a terra, o tempo ultrapassa a sua relação com o espaço, transformando a imagin(ação) em virtualidade. A pobreza aumenta e a grande maioria vive mal, dos ricos aos pobres, das casas às cidades; nós arquitetos estaremos fadados, ao total desprezo e mau entendimento por parte de quem nos contrata, enquanto ficarmos pensando na massa como constituição social, incentivando à cópia, à inutilidade, à repetição de estilos globais e fotogênicos, esquivando-nos das resoluções e questionamentos pontuais.
“Estamos presenciando um Classicismo de segunda patrocinado por pessoas que enriqueceram no mundo moderno mas fingem viverem como “lordes” em uma sociedade feudal”, disse Peter Davey editor da revista The Architectural Review.
Estamos deixando apagar os rastros deixados pelos grandes arquitetos, devemos abrir as portas de nossas reuniões profissionais, devemos por nas ruas as nossas percepções, para que a sociedade civil entenda e veja pelos nossos olhos.
Talvez a arquitetura não seja realmente importante, como diz o Arq. Oscar Niemeyer, e que o importante é mudar este mundo injusto; mas utilizaremos então a arquitetura como uma de nossas ferramentas , já que está na ação, intenção e invenção a diferença que nos qualifica.
Moraríamos nas cidades, não como quem ocupa casulos com vista para o céu e ignora o chão sujo. O espaço público esta como o resto das nossas construções, não respirando sem elas.
O triste é que o espaço comum só adquire valor se consumido pelo privado.
O ABRIGO / MANIFESTO foi criado para, primeiramente, proteger seres humanos que se encontrem em lugares diversos e depois alterar a percepção daqueles que passam e não enxergam nada além de seus celulares, (re)apresentando o que também é arquitetura.
Este abrigo é constituído de duas bases de ripas de madeira dispostas paralelamente com distância de aproximadamente 1,00 metro (variável de acordo com a necessidade) por onde saem fios de arame de aço revestidos por mangueiras de borracha, permitindo mobilidade e maleabilidade.
Este conjunto de mangueira / arames estrutural possui três comprimentos distintos, criando três camadas para afixar materiais de cobertura. Nas duas camadas mais altas estão duas placas compostas de alumínio para o lado externo, refletindo o calor , e juta resinada para o lado interno, criando uma fibra de maior resistência para o material. Estas placas ficarão uma em cima da outra com vão livre para circulação de ar e poderão deslizar sobre as mangueiras/arames estruturais a fim de um melhor isolamento térmico. Abaixo destas placas, seguido por mais um espaço para circulação de ar, uma cobertura impermeável de PVC com fibra de nylon envolve o morador tanto por cima quanto o isola do chão úmido.
As extremidades maleáveis pelo arame e mangueira possibilitam o aumento da área interna do abrigo.
Erguendo uma das bases de madeira, o abrigo até então em forma de arco, se transforma em uma letra “ C “, permitindo que o morador coloque seus pertences dentro da cobertura de PVC que o envolvia. Seguindo a transformação, o morador continua enrolando o conjunto, agora em forma de caracol; amarrando-o
Duas pequenas rodas localizadas na outra base de madeira, possibilitam sua locomoção.
A forma não deriva da função, pois esta já está caracterizada por si só, mas sim pela fragmentação e movimentação de suas partes em busca da ação desejada.
Vivemos em uma “ democracia “ cada vez mais fortalecida em uma sociedade que se vangloria a cada eleição como seu único grande ato cívico.
Grande “ democracia “ onde um mendigo se confunde com seus pertences embalados em sacos plásticos, desumanamente invisível, o que para a sociedade é bom, pois não precisa enxergar a decadência de seu poder, sofrendo ataques e ações autoritárias.
Departamentos governamentais e sociedade aprovam e compram construções especulatórias onde os espaços encolhem proporcionalmente ao número de ornamentos inúteis de suas fachadas, onde o projeto aparece de planilhas numéricas e quantitativas. Os espaços ganham nomes importados e o ser humano, que deveria estar no principio da criação arquitetônica, aparece por último, apenas para garantir o retorno do investimento.
CIDADE/ARQUITETURA x SER HUMANO - re-Humanizemos-a ou re-Urbanizemos nos?
Vamos encarar a urgência de tomarmos à frente daqueles que degradam nossa profissão e nossas cidades.
Que a arquitetura saia destas imagens inúteis, pensamentos e frases acadêmicas e se ligue à multidão.
Vamos leva-la a sério.


Links:


Texto re-HUrbManismo:


http://www.vitruvius.com.br/drops/drops14_09.asp


Video da exposição "Die Tropen"-Berlim:


http://www.tvbvideo.de/video/iLyROoafYu3b.html


Exposição "Die Tropen"-Berlim:


http://universes-in-universe.org/eng/specials/2008/tropics


Jornal Folha de São Paulo:


http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u499231.shtml


New Architectural Expression:


http://newarchitecturalexpression.eu/2008/03/39-abrigo-manifesto-adriano-carnevale-domingues/langswitch_lang/en/


New Italian Blood:


http://www.newitalianblood.com/show.pl?id=5799


MUSEU DA TOLERÂNCIA
arq. Adriano Carnevale Domingues
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Observou-se mal a vida, se ainda não se descobriu a mão que, piedosamente, mata.
Friedrich W. Nietzsche


Vamos celebrar a estupidez humana ...
Renato Russo



Evoluímos como esperado? Racionalizamos a espontaneidade ou atrofiamos nossa percepção?
Há tempos, aqueles que um dia nos foram apresentados como primitivos/ selvagens se uniam com seus iguais e com o espaço ocupado, com o mesmo respeito à seres animados e seres inanimados ao ponto de ritualizar suas ações como se as dessem vozes para um ouvido onipresente. A terra não era ocupada e sim sua parte integrante, talvez a mais superiora delas, com forças por vezes delimitadoras. Crescia no homem o sentido de respeito e limites.
A natureza dava o alimento nas mãos até o dia em que começaram a estocar, ato de aparente conforto uma vez que começavam a se socializar mesmo agrupando em casulos seletivos. Uma vez com reserva nutricional, poderiam distanciar-se da natureza, ponto esse que começariam a altera-la, sobrepondo-se a ela.
O respeito desaparecia na proporção de um pseudo crescimento sócio-cultural patrocinado por um ego insatisfeito, que ciclicamente clamava por competição.
A percepção enfraquecida pelo atrofiamento dos sentidos, uma vez vítima de nossas próprias criações, fez-se um campo fértil para o individualismo egoísta a ponto da raça humana não se tolerar mutuamente.
Uma vez detectado o empobrecimento da percepção humana, caracterizando inúmeros exemplos de intolerância, historicamente já citados, o Museu da Tolerância terá sua concepção arquitetônica baseada no universo transitório da ação humana. A dualidade do bem e do mal, não apenas no sentido cristão de seus significados, mas na força muitas vezes ditatorial de transformação dos valores de uma sociedade; afetando profundamente o sítio de sua implantação.
O estrangulamento da área em razão das leis urbanas de recuos, afastamentos e altura, obriga a alteração do solo a fim de respeitar o programa pré-estabelecido.
O acesso se dará ao nível da rua sem interrupção entre os espaços. Neste ponto cria-se um estranho desequilíbrio já que o raciocínio da implantação, propositalmente explicita os limites legais para ocupação, sendo fortemente marcado pela estrutura periférica e externa às vedações; esta marcação é uma alusão aos campos de concentração nazista, com cabos de aço travando o bloco delimitador mesmo que visualmente permeável. Estes cabos de aço serão rompidos apenas nas áreas de acesso, abrindo a conexão, como uma praça, onde ficará a recepção e o acesso para todo o museu.
A área de exposição temporária começa em declive, do acesso (nível da rua) até o piso plano a 4,00 metros abaixo pertencente a mesma exposição temporária. Esta intervenção no terreno, simula novas curvas de níveis em lajes descoladas da laje de piso, com a intenção de ventilar e iluminar parte da área da exposição permanente logo abaixo, além de recriar um terreno artificial baseado na erosão de lugares esquecidos.
Nos vales de erosão, geralmente os dejetos são jogados, corpos abandonados, usaremos então este fosso como o epicentro, o grande exemplo de alteração ambiental para mostrarmos nas exposições as ações humanas positivas e/ou negativas, pois toda ação repercute, reverbera, altera.
Para a percepção daqueles que passam pelas áreas próximas, haverá na área de maior perspectiva do terreno, voltada para a praça Profº Jorge Americano, um bloco de concreto oco, inclinando para o grande fosso como se estivesse sendo tragado, abriga a loja e o café no mezanino; tendo os elevadores de acesso do público às exposições, além de servir como cobertura da recepção.
Externo e revestindo este bloco de concreto, haverão várias placas de barro queimado (como telhas) com distâncias diferentes presas em espinhos de ferro, como se descascassem de seu corpo, remetendo ao solo seco do nordeste e agora da Amazônia. Tais placas de barro serão moldadas pelos trabalhadores da obra em loco, agregando valor e diferença de forma em suas superfícies, uma vez que a absorção individual das informações , não necessariamente resultam na igualdade das respostas.
No fosso (nível –4,00 metros) ficarão além das exposições temporárias,a área de montagem com uma sala para coordenação, reserva técnica, cinema e sanitários.
Descendo mais 4,00 metros (de piso a piso) ficarão o auditório com sanitários e o espaço para a exposição permanentes aonde painéis estarão dispostos de maneira a formar aparentes salas convencionais , separadas em dois grupos de acordo com o tema da exposição ( ações benéficas e maléficas ). Separando estes dois grupos, no sentido longitudinal, terá uma parede sinuosa transparente de meia altura, contínua, permitindo que, visualmente, o antagonismo dos temas expostos, sejam sempre comparados.
No lado do grupo que expõem ações humanas negativas, um tecido na cor de sangue tornará o teto flácido, interferindo na apreensão total dos espaços. Os painéis nos quais ficarão os documentos, quadros, fotos, etc.., a serem expostos, rotacionarão em torno de um eixo central na velocidade lenta, a fim de quebrar o percurso lógico de visitação, causando desconforto nos visitantes.
No outro lado, o grupo de exposição sobre ações humanas positivas, ficará sob a área do pavimento superior em que as lajes descoladas recriam uma nova topografia, dando uma sensação de desafogo, dando vida às imagens e liberando a perspectiva para o céu.
Restando os vestiários, copa, almoxarifado, manutenção e reservatório de água logo abaixo.
À cima do grande fosso das tolerâncias e intolerâncias humanas, suspenso 6,00 metros do nível da rua, ficarão os espaços destinados a aprendizagem, com salas de aula, laboratórios, biblioteca; área administrativa e coordenação das exposições e alimentação, com restaurante na cobertura, num total de quatro andares.
Cada andar estará desencontrado do andar seguinte para melhor captação da luz natural, seja pelas aberturas horizontais ou por clarabóias resultantes dos espaços destes desencontros.
Estes quatro andares romperão os limites da estrutura periférica, como se almejasse não mais interferir o espaço comum.
Entre a estrutura periférica e as lajes suspensas, terá um tecido para vedação e sinalização de temas sobre diversos assuntos expostos ou em pauta para interação até mesmo daqueles que só passam e começariam a interagir. Este tecido representa uma cortina que ao invés de esconder as atrocidades, reforça o peso dos assuntos abordados.Fica assim então repartido e confrontando a polaridade da falta de limites aliada a alteração nefasta por propósitos pequenos, contra o respeito e até mesmo a exclusão contemplativa do estado natural das coisas como entendimento da extensão de cada um.


LATVIAN NATION
REFLECTING SOULS MEMORIAL
arq. Adriano Carnevale Domingues

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Inclino-me no rio Daugava, como sinal de respeito, ajoelho á sua margem e percebo que toda água sua não tem o propósito de saciar minha sede; talvez inundar minha razão inquieta. Tão logo percebo minha imagem em sua superfície confusa com tudo que até então estaria atrás de mim criando um novo quadro.
Sinto-me, então, parte de uma realidade transitória, mas que me liga á percepção e a reflexão do tempo além do espaço.
O céu agora embaixo de mim, põe-me cara a cara com a imaterialidade.
Olho para o horizonte, ainda ofuscado pelo reflexo da luz solar na superfície do rio Daugava, e levo fragmentos do que ficou registrado em minha mente e povôo a ilha com memórias de toda nação unida.
Lembro do ano de 1989, milhares de pessoas de mãos dadas confirmando o sentimento de união que nunca foi destruído ou retirado á força.
Esta imagem ainda forte em minha mente, norteia a idéia de um memorial que celebre a alma unida de todo o povo da Latvia.
Tubos metálicos subirão e descerão ao longo de seu percurso tendo suas extremidades por vezes no solo da ilha, no rio ou no ar.
Ao longo deste tubos metálicos existirão placas de espelhos (ou qualquer outro material reflexivo) onde serão gravados os nomes de todos os cidadãos mortos ou desaparecidos da Latvia durante as ocupações. O espelho inclinará levemente para o céu, levando a imaterialidade e reflexão,assim que o espelho volta para a posição vertical, nossa imagem se une ao entorno e à milhares de nomes dos antepassados, mais uma vez pondo enfrente de nós o que até então estava trás e me recordo do Daugava que me trouxe este fragmento de reflexão.
Quando inclinadas, as placas de espelhos refletirão o sol criando pontos de brilho intenso, ofuscando por vezes os visitantes, que apelam à memória na falta da visão nítida; além de dar vida à ilha quando vista de longe.
À noite, luzes no topo das colunas inclinadas, farão o papel da luz solar, recriando os mesmos efeitos de brilho ofuscante, além de criar fachos de luzes no céu; protegendo então, a nação contra qualquer noite de terror, como as de 13 e 14 de julho de 1941.
Na parte da ilha estrangulada pelos dois lotes que não pertencem á Fundação KOKNESES, ficarão as salas para explicações e informações, ponto escolhido, pois com o estreitamento, a concentração de visitantes será maior, facilitando a propagação das idéias, além de mostrar que a união desta nação nunca será rompida mesmo sobre pressão externa.
Para que a ilha não fique apenas para visitação, nas grandes áreas abertas proponho atividades sociais, tais como cinema e concertos ao ar livre, exposições de artes e literatura para que se torne um ponto de convívio e reflexão de vidas.
CONCURSO NOVA SEDE DO IPHAN
arq. Adriano Carnevale Domingues
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Começo minhas intenções, citando o arquiteto Lúcio Costa e parte do seu relatório do plano piloto de Brasília.
... “Cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível própria do devaneio e à especulação intelectual capaz de torna-se, com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país...”
... “Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz.” ...

Parto deste princípio e assinalo o lugar, mas desta vez não como quem toma posse, o sinal da cruz, mas quem indica um percurso, um caminho, uma continuidade espacial que parte do solo ocupado e se projeta ao céu como se explicássemos as formas sinuosas da natureza, de uma montanha, através do movimento mímico, silencioso.
Da mesma maneira que ao arrancarmos algo do solo, trazemos parte dele junto; trago junto ao movimento, ligações ao seu plano de origem, mostrando a raiz submersa que estrutura o movimento sinuoso de um gesto natural e que desenvolve a essência e o programa do projeto.
Este percurso caracterizado por uma laje, parte do sul junto ao terreno e se eleva em direção ao norte, liberando suas laterais para iluminação natural, além de proteger dos ventos predominantes do mesmo quadrante. À 45° deste eixo norte - sul no quadrante nordeste, um prolongamento que abriga o setor de Interação, serve como barreira, protegendo os acessos dos ventos vindos do leste que predominam ao longo do ano.
O projeto se desenvolve em dois subsolos, térreo, 1º e 2º pavimentos. O nível térreo está na cota 1.035,50m e será destinado á utilização de todas as pessoas, inclusive visitantes do IPHAN, contendo o estacionamento descoberto, os acessos verticais e o setor de interação/eventos com auditório e biblioteca com cafeteria, loja, recepção, área de leitura, acervo, reserva, arquivos e sanitários.
O sistema viário cortará o conjunto, permitindo o desembarque coberto, além do acesso ao 2º subsolo para o estacionamento coberto. Um braço lateral, ligará o térreo com o 1º subsolo onde estará a entrada de funcionários, ambulatório (permitindo o acesso de uma ambulância) e, onde se farão o abastecimento da cozinha.
O partido adotado, que tem grande parte do programa em subsolos, deriva da intenção de proteger as pessoas das intempéries.
No 1º pavimento, na cota +4,00m, sobre a biblioteca, estarão o salão de exposições, centro de memória e reserva técnica, seguido do 2º pavimento, na cota + 7,00m, reservado para o arquivo intermediário e permanente; caracterizando o setor de Interação como uma unidade independente.
O 1º subsolo será acessado por elevadores e escada, além da rampa de uso misto para automóveis e pedestres. Neste piso, um grande vazio central propiciará insolação e ventilação aos ambientes e terá apenas num dos lados espaço para circulação de automóveis, ligando-o ao 2º subsolo.
Os ambientes serão destinados à laboratórios, com acesso ao exterior (caso necessitem), salas de coordenação com divisórias de vidro, permitindo iluminação e maleabilidade no espaço futuramente, diretoria administrativa e administração da sede ,além da rampa de acesso ao 2º subsolo, tanto para pedestres como para automóveis.
Nas áreas destinadas à coordenação e diretoria administrativa, divisórias de vidro estarão dispostas de maneira que cada gerente esteja ladeado de suas respectivas divisões, além de não bloquear a luz no ambiente de trabalho. Vale ainda ressaltar, que a laje de cobertura das áreas de coordenação e laboratórios, serão inclinadas e protegidas por vegetação, ajudando no conforto térmico e na iluminação.
No 2º subsolo, seguindo a projeção do vazio central do 1º subsolo, estará um jardim ladeado, da mesma forma, pelas salas da diretoria, sala para grandes reuniões e o acesso ao estacionamento coberto. Este pavimento terá os acessos por meio de rampa, elevadores e escada. Da mesma maneira, divisórias de vidro estarão dispostas de forma que cada diretor esteja ladeado de suas respectivas divisões, além de facilitar a iluminação nas áreas de trabalho.
O setor da administração da sede, além do vazio central, terá acesso ao exterior com rua direta, possibilitando a entrada e saída dos funcionários, ambulância e facilitar o funcionamento da cozinha e restaurante. O restaurante terá , na área das refeições, uma clarabóia auxiliando na iluminação e ventilação.
As circulações horizontais nestes dois subsolos, se darão pelo perímetro do vazio central externo aos ambientes e, paralelo ao mesmo, no interior entre as divisórias.
Suspenso, sobre parte do conjunto na cota +6,50m, ficará o pavimento da presidência, com acesso de elevadores e escada. Um dos elevadores poderá ser exclusivo do presidente devido a sua localização próxima ao gabinete. Este conjunto tem a fachada oeste fechada, evitando o calor da tarde em contra partida do resto que será envidraçada.
A sinuosidade mencionada no início do texto, se dará por uma laje contínua que ora servirá de percurso, ora de apoio e ora de cobertura. Percurso- na ligação entre partes do pavimento térreo e rampa de ligação ao 1º subsolo e consequentemente ao 2º subsolo. Apoio- quando suporta e suspende o bloco da presidência e solta-o em balanço. Cobertura- a área da biblioteca/setor de Interação terá seus pavimentos superiores atirantados nela, a fim de liberar a planta; por fim no auditório e foyer, retorna ao piso, estendendo-se ao céu. Esta laje será revestida de mosaico de pedra portuguesa criando desenhos de obras tombadas pelo patrimônio, caracterizando a idéia de percurso, calçada ou até mesmo de linha do tempo, de onde se faz e tem a história preservada.
CLÍNICA MÓVEL – HIV ÁFRICA
arq. Adriano Carnevale Domingues
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A CLÍNICA MÓVEL PARA TRATAMENTO DE HIV/AIDS É COMPOSTA POR DOIS BOXES RETANGULARES ( 5,15m x 2,22m x 3,25m ) CHAMADOS DE "NÚCLEO", E SEIS INDEPENDENTES ESTRUTURAS MULTIFUNCIONAIS MÓVEIS CHAMADAS DE "ÁRVORES".
CADA "NÚCLEO" POSSUI UMA ÁREA DE ARMAZENAMENTO DE ATÉ TRÊS "ÁRVORES", EQUIPAMENTO MÉDICO OU BANHEIRO DOS MÉDICOS.
QUANDO AS "ÁRVORES" SÃO RETIRADAS DOS "NÚCLEOS", A ÁREA EM QUE ESTAVAM ARMAZENADAS SE TRANSFORMAM EM DORMITÓRIOS DOS MÉDICOS, COM CAMAS FIXAS NAS PAREDES (COMO CABINES DE TREM). AS ABERTURAS DAS PORTAS E JANELAS ASSEGURAM A CIRCULAÇÃO DO AR.
O "NÚCLEO" É COMPOSTO POR UMA ESTRUTURA LEVE DE AÇO COBERTA POR ISOLANTE TÉRMICO ENTRE PAINÉIS DE MADEIRA PRENSADA RECICLADA, FORMANDO AS PAREDES DE VEDAÇÃO E COBERTURA.
AS "ÁRVORES" POSSUEM ESTRUTURA TUBULAR LEVE DE AÇO COM CAIXAS DE MADEIRA PRENSADA QUE ROTACIONAM ( 12 ) E GUARDAM PAINÉIS RETRATEIS TRANSLUCIDOS QUE CRIAM ÁREAS PARA ATENDIMENTO INDIVIDUAL OU EM GRUPO.
A COBERTURA DAS "ÁRVORES" SE MOVIMENTAM PARA CAPTAÇÃO DE LUZ E VENTILAÇÃO NATURAIS.
ASSIM COMO OS PAINÉIS DOS "NÚCLEOS", AS "ÁRVORES" POSSUEM TAMBÉM ISOLANTE TÉRMICO ENTRE PAINÉIS DE MADEIRA PRENSADA RECICLADA.
ESTAS "ÁRVORES" PODEM SER ÚTEIS PARA A COMUNIDADE LOCAL, SERVINDO COMO ÁREA PARA COMÉRCIO, ESCOLA OU PARA OUTRAS NECESSIDADES TRANSITÓRIAS.
CONCURSO BAIRRO NOVO
SÃO PAULO
arq. Adriano Carnevale Domingues
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AO LEVANTARMOS A QUESTÃO SOBRE CRIAR, ORDENAR E DISPOR UMA POPULAÇÃO OU PARTE DELA EM UMA ÁREA CARACTERIZADA POR UM VAZIO URBANO DECORRENTE DO REFLEXO DA AMBICIOSA E NEFASTA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA, NÃO BASTA APENAS APRESENTARMOS UM DESENHO DE FORMAS, QUE AO DECORRER DOS TEMPOS SERÃO TRANSFORMADOS EM ESTILOS “NEO” INCONSEQUENTE, HOMOGENEIZANDO-SE COM O RESTO ATÉ PERDER SEU FOCO PARA UMA NOVA ÁREA, MAS PENSARMOS NUM SUPORTE DE OCUPAÇÃO QUE RECEBA E INTEGRE O MOVIMENTO DAS MUTANTES NECESSIDADES, RESULTANDO EM UMA ARQUITETURA DE ACOMODAÇÃO E DE IDENTIFICAÇÃO DE SEU REAL VALOR SOCIAL.

O URBANISMO EM GERAL PENSA EM DIRETRIZES PARA ASSENTAMENTO POPULACIONAL DE UMA MASSA, UM BLOCO DE UM SÓ COSTUME E VONTADE QUE DEVERÁ RESPEITAR UMA SÓ ORDEM.

AO ANALISARMOS A POPULAÇÃO, A ENTÃO CHAMADA MASSA, DEVEMOS ENXERGAR A SUA EXISTÊNCIA COMO A SOMATÓRIA DE INDIVÍDUOS QUE POSSUEM VONTADES DISTINTAS, NECESSIDADES MUITAS VEZES IMPREVISIVEIS E ASSEGURARMOS UM BALISAMENTO PARA SUA SOBREVIVENCIA.

ESTA PROPOSTA QUE APRESENTO AQUI, VISA ATENDER NÃO SÓ UMA OCUPAÇÃO QUE O PRESENTE CONCURSO APRESENTA, MAS VIABILIZAR FUTURAS MUDANÇAS DE INTERRESSES E DE PERFIL SOCIAL, PRESERVANDO O MÁXIMO POSSÍVEL A ADEQUAÇÃO INDIVIDUAL DESENCADEANDO, QUEM SABE, INCENTIVOS PLURALISTAS E/OU ESPONTANEOS.

O SISTEMA VIÁRIO SEGUIRÁ O RACIOCÍNIO DE MANTER AS AVENIDAS PRINCIPAIS COMO A AV. MARQUES DE SÃO VICENTE, AV. NICOLAS BOER, MARGINAL TIÊTE EM SUAS CONFIGURAÇÕES ATUAIS APENAS REQUALIFICANDO SEU CALÇAMENTO E PAISAGISMO, CRIANDO PARA O INTERIOR DA ÁREA EM QUESTÃO UM RAMIFICADO DE RUAS DE MESMA LARGURA ONDE A HIERARQUISAÇÃO SE DARÁ PELO RODÍZIO DE UTILIZAÇÕES QUE TERÃO AO LONGO DO DIA E DA SEMANA.

ESTAS RUAS PROPOSTAS, TERÃO 12,00 metros DE LEITO CARROÇAVEL E DOIS SENTIDOS DE TRÁFEGO, SENDO POSSIVEL A UTILIZAÇÃO JUNTO E AO LONGO DAS GUIAS DAS CALÇADAS COMO ESTACIONAMENTO. AS CALÇADAS TERÃO LARGURA DE 4,00 metros PARA O PLANTIO DE ÁRVORES E ÁREA CONFORTÁVEL PARA OS PEDESTRES ; AS GUIAS SERÃO BAIXAS PARA SUAVIZAR OBSTÁCULOS DESNECESSÁRIOS. AO LONGO DA AV. MARQUES DE SÃO VICENTE E MARGINAL TIÊTE HAVERÁ UMA FAIXA NÃO EDIFICANTE DESTINADA À UMA DENSA VEGETAÇÃO RASTEIRA E DE PORTE ARBÓREO PARA FILTRAR O GRANDE FLUXO DE POLUIÇÃO VISUAL E SONORA ALÉM DE PERMEABILIZAR O SOLO NESTAS ÁREAS DE FÁCIL ALAGAMENTO.

NESTA MESMA PORÇÃO DA AV. MARQUES DE SÃO VICENTE, VISANDO MELHORAR A DRENAGEM, SERÃO FEITAS FOSSAS FUNDAS DE APROXIMADAMENTE 6,00 metros, FECHADAS AO NIVEL DA RUA POR GRELHAS METÁLICAS E PAREDES DE CONCRETO FURADO E COM O FUNDO DE AREIA, TERRA E BRITA PARA O ESCOAMENTO E ABSORÇÃO NATURAL DAS ÁGUAS PLUVIAIS.

AO LONGO DA AV. NICOLAS BOER HAVERÁ ACESSO PARA VEÍCULOS E A CRIAÇÃO DE UM ARRUAMENTO PARALELO DE SERVIDÃO À ÁREA INTERNA E SEUS EQUIPAMENTOS.

OS ACESSOS DE VEÍCULOS DOS LOTES JUNTO À MARGINAL TIÊTE SERÃO TRANSFERIDOS PARA UMA RUA PROJETADA AO FUNDO DOS MESMOS, A FIM DE ELIMINAR LENTIDÃO DO FLUXO CAUSADO PELA ENTRADA E SAÍDA DE CARROS E CAMINHÕES.

A ORDENAÇÃO E FUNÇÕES DA OCUPAÇÃO, UMA VEZ IMPLANTADO O SISTEMA VIÁRIO, SERÁ DE APROXIMAR E MESCLAR TODOS OS USOS E DEMANDAS. NO NÍVEL TÉRREO, E TENDO A AV. NICOLAS BOER COMO ILUSÓRIA ESPINHA DORSAL, ÁREAS DESTINADAS AO COMÉRCIO E SERVIÇO, ESTARÃO DISPOSTOS EM SEMI-CÍRCULOS AONDE CONCAVO E CONVEXO ACOLHERÃO E EXPANDIRÃO ATIVIDADES DE CUNHO COMERCIAL E DE ABASTECIMENTOS COM INCENTIVO AO FUNCIONAMENTO DE TEMPO INTEGRAL. TAL SOLUÇÃO SE ESPELHA PARA O SENTIDO OPOSTO A MESMA AVENIDA GERANDO UMA ÁREA INTERNA ENTRE OS SEMI-CÍRCULOS QUE SERÁ PERMEADA POR RUAS E CALÇADAS QUE SOFRERÃO RODÍZIO DE UTILIZAÇÕES, GERANDO LAZER E SEGURANÇA PARA O USO DOS PEDESTRES, MORADORES E REDUÇÃO DE BARULHO NAS HORAS DE DESCANSO FAMILIAR, NO SENTIDO NORTE-SUL, LAJES PASSARÃO SOBRE A AV. MARQUES DE SÃO VICENTE A FIM DE LIGAR E DAR CONTINUIDADE AOS CALÇADÕES, ALÉM DE SERVIR COMO PASSARELA PARA O CANTEIRO CENTRAL AONDE ESTÃO OS PONTOS DE ÔNIBUS DESTE CORREDOR.SOBRE ESTAS LAJES O USO PARCIAL DE COMERCIO SERÁ PERMITIDO.

NO EXTREMO SUL, JUNTO A FERROVIA, FICARÁ UMA GRANDE ÁREA VERDE DESTINADA A PRÁTICA DE ESPORTES, PICNIC, COM CONSTRUÇÃO DE APOIO E NO EXTREMO NORTE JUNTO A NOVA ÁREA DE CONCESSÃO AO SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE, UMA ÁREA DESTINADA A FUTURA IMPLANTAÇÃO DE ESTAÇÃO INTERMODAL LOCAL COM ACESSO À MARGEM DO RIO TIÊTE , CASO HAJA ALGUMA LINHA FÉRREA COMO A EXEMPLO DO RIO PINHEIROS E PARA QUANDO O RIO SE TORNAR NAVEGAVEL.

NAS EXTREMIDADES LESTE E OESTE SERÃO IMPLANTADAS QUADRAS COM LOTES PARA RESIDENCIAS UNIFAMILIARES DE TÉRREO MAIS UM PAVIMENTO, COM ÁREA LIVRE DE 30% DO LOTE PODENDO APENAS ANEXAR E NUNCA DESMEMBRAR. JUNTO COM OS LOTES, NA EXTREMIDADE OESTE, FICARÁ A NOVA ÁREA DE CONCESSÃO AO PALMEIRAS FUTEBOL CLUBE.

A APROXIMADAMENTE 8,00 metros DE ALTURA, ACOMPANHANDO O FORMATO DE SEMI-CÍRCULO DA ÁREA COMERCIAL/SERVIÇO DO TÉRREO, FICA A LAJE DE LAZER E CONVIVÊNCIA PRIVATIVA DAS TORRES RESIDENCIAIS E DE ESCRITÓRIOS. NESTAS LAJES, ÁREAS DE ESPORTE E REUNIÕES SOCIAIS SERÃO LIGADAS POR PONTES QUE UNEM OS SEMI_CÍRCULOS SOBRE O ARRUAMENTO PÚBLICO E CALÇADÃO MENCIONADOS ANTERIORMENTE. COM ISSO A SEPARAÇÃO DO PÚBLICO E DO PRIVADO SE DARÁ PELA DIFERENÇA DE NÍVEIS COM O MÍNIMO DE OBSTÁCULOS.

AS TORRES DE HABITAÇÃO, ESCRITÓRIOS E HOTEIS PARTIRÃO DO MESMO PRINCIPIO AONDE O ESPAÇO NÃO É DECORRENTE DE SUA FUNÇÃO NO TEMPO EM QUE SE APRESENTA, MAS É O PRÓPRIO TEMPO EM MUTAÇÃO QUE ALGUMAS VEZES SE CONGELA POR ALGUNS USOS, COMO NO EXEMPLO DESTA PROPOSTA.

ESTA IDÉIA SE MATERIALIZA COM A CRIAÇÃO DE LAJES PLANAS COMO TERRENOS. TORRES EXTERNAS COM ELEVADORES, ESCADAS E ABASTECIMENTO DE ÁGUA, LUZ, GÁS, TELEFONE E ESGOTO SERÃO LIGADOS ÀS “LAJES TERRENOS” POR PONTES. SOB PISO ELEVADO, O ABASTECIMENTO VINDO DAS TORRES EXTERNAS, DIVERSIFICARÁ O RESULTADO DA OCUPAÇÃO E RESPONDERÁ AOS DESEJOS INDIVIDUAIS À QUE UM AVERDADEIRA PLANTA LIVRE FOI CONCEBIDA. DESTA FOMA ESTAREMOS TRATANDO HONESTAMENTE NOSSOS ESPAÇOS E NOSSAS PESSOAS, JÁ QUE HOJE, A PÉSSIMA QUALIDADE DOS ESPAÇOS COMERCIALIZADOS PARA HABITAÇÃO E TRABALHO, FORÇAM ÀS OBRAS DE MELHORIA E EXPANSÃO DE CUBICULOS.

ESTAS LAJES DEVERÃO SER TRATADAS COMO TERRENOS, AONDE O INCENTIVO À ÁREAS LIVRES PARA O PLANTIO, CARACTERIZARÃO A NOVA OCUPAÇÃO; QUE PODERÁ SER COMERCIALIZADA EM SUA ÁREA TOTAL OU FRACIONADA EM ÁREAS DE NO MÍNIMO 265,00m2 POR PROPRIETÁRIO AONDE 15% DEVERÁ SER DESTINADOA ÁREA LIVRE ( VEGETAÇÃO ) ACIMA MENCIONADA.

O FECHAMENTO EXTERNO SERÁ FEITO POR ELEMENTOS DE PROTEÇÃO E CAPTAÇÃO SOLAR, MÓVEIS E HOMOGÊNEOS , A FIM DE NÃO GERAR POLUIÇÃO VISUAL DEVIDO A POSSIVEL DIVERSIDADE DE OCUPAÇÃO INTERNA.

NA ÁREA RESERVADA PARA FUTURA ESTAÇÃO DE LIGAÇÃO COM O AEROPORTO DE GUARULHOS SERÃO CONTRUIDOS HOTEIS COM COMERCIO E SERVIÇO EM SEU TÉRREO JUNTO COM A ÁREA DE EMBARQUE E DESEMBARQUE. UMA PONTE SOBRE A LINHA FÉRREA EXISTENTE CONDUZ OS NOVOS VISITANTES AO TEATRO DO BAIRRO NOVO, PARA QUE TENHAM CONTATO COM A NOSSA ARTE E CULTURA E DEPOIS IRÃO INTERAGIR COM O POVO NOS CALÇADÕES.

AS HABITAÇÕES DE INTERESSE SOCIAL SERÃO IMPLANTADAS JUNTO À AV. MARQUES DE SÃO VICENTE PARA QUE A POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA ESTEJA PRÓXIMA AO CORREDOR DE ÔNIBUS EXISTENTE.

OS PRÉDIOS TERÃO 4 PAVIMENTOS MAIS TÉRREO LIVRE PARA CONVIVÊNCIA E/OU ESTACIONAMENTO . OS APARTAMENTOS TERÃO 45,00m2 CONSTRUIDO CADA COM LIGAÇÃO VERTICAL POR MEIO DE ESCADAS. DENTRO DOS APARTAMENTOS , AS PLANTAS SERÃO MODULADAS POR PAINEIS MOVEIS AONDE APENAS O SANITÁRIO, COZINHA E OS ARMÁRIOS ESTARIAM PERFILADOS E FIXOS, LUGAR ESTE ONDE OS PAINÉIS SERÃO GUARDADOS. NO LADO DE FORA, UM PEDAÇO DE LAJE LIGADO AO INTERIOR POSSIBILITA O RECREIO FAMILIAR. ESTAS LAJES SERÃO ALTERNADAS ENTRE OS PAVIMENTOS DE MODO QUE AS MESMAS FIQUEM DESCOBERTAS, ABSORVENDO A LUZ NATURAL.

UM DOS PONTOS IMPORTANTES DESTA PROPOSTA É DE UTULIZAR AS ÁREAS SOB OS VIADUTOS PARA ACOLHER OS MENDIGOS QUE LÁ HOJE PROCURAM ABRIGO, ASSUMINDO E TRATANDO UMA REALIDADE CONSOLIDADA.

ESTE ESPAÇO TERÁ UM PEQUENO NÚCLEO DE SANITÁRIOS E GERENCIAMENTO, ALÉM DE PEQUENOS E INDIVIDUAIS CASULOS SOBREPOSTOS E LIGADOS POR RAMPAS COM A FINALIDADE DE DORMITÓRIOS. EXTERNAMENTE O ESPAÇO SERÁ REVESTIDO DE FORMA A VALORIZAR A SUA IMPORTÂNCIA.
THE SCHOOL OF ARCHITECTURE AS SUBJECT OF DESIGN
arq. Adriano Carnevale Domingues em parceria com a arquiteta Állisson Opitz
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